Alberto João Jardim está a morrer politicamente e, como em muitas famílias onde não é o amor que as une mas sim os interesses, a sua herança é já motivo de guerras e desunião. São 6 os filhos políticos de Alberto João Jardim que se defrontam para ver quem fica com o legado do pai. Como a herança é choruda, as estratégias para lhe deitar a mão estão repletas de artimanhas. Depois de Alberto João Jardim ter caído em desgraça, alguns destes filhos perceberam que a forma mais fácil de conquistar o trono é renegando o próprio pai, mais do que Pedro renegou Cristo. Miguel de Sousa e Sérgio Marques também a seguem, mas é Miguel Albuquerque o cabecilha desta estratégia. Enquanto Alberto João Jardim lhe deu boleia esteve caladinho, depois do pai deixar de lhe dar colo desatou num berreiro, criticando, de forma oportunista, o passado em que ele próprio foi cúmplice. Mas Miguel Albuquerque sabe que não basta pontapear o pai moribundo no chão para ganhar a coroa. É preciso fazer alianças e prometer feudos. O clã Jaime Ramos é o grande trufo de Miguel Albuquerque e é quem lhe permitirá ganhar as eleições internas no PSD-M. As listas da candidatura de Miguel Albuquerque são o resultado da soma entre o seu séquito da Câmara Municipal do Funchal e o exército do clã Jaime Ramos. Renegando o pai para se sacudir da sua desgraça, Miguel Albuquerque aproveita o pior que o Jardinismo criou: a mistura entre negócios e política da qual o império de Jaime Ramos e filho é o melhor exemplo.

Enquanto estes renegam o próprio pai e fazem alianças com quem é exímio no controlo por detrás das cortinas, os outros filhos de Alberto João Jardim, Manuel António e Cunha e Silva, procuram acarinhar o pai para beneficiar da influência que ele ainda possa ter dentro do Partido. Todos jogam por interesse, nenhum ama verdadeiramente a família.

Hélder Spinola