A. Fraga É muito revoltante comparar as constantes declarações de gabarito da Estudante do Turismo com a realidade que se vê e que se vive na nossa ilha, principalmente no Funchal. Penso que a indivíduo não tem consciência do que diz (ou faz).

Tanto gabanço sobre os milhares de turistas de cruzeiros que desembarcam no porto do Funchal, na chamada época alta dos navios de cruzeiros. Será que ela sabe que durante essa época alta de cruzeiros, dá-se a época baixa (baixíssima, cada vez mais) do comércio?! Turistas de cruzeiro que são literalmente obrigados a consumir dentro do navio, pois já têm tudo pago a priori, fazendo com que nada gastem no comércio a não ser numa banana-íman de frigorífico ou apenas venham tirar fotografias e ir ao WC. Como diz o outro, vamos todos fechar o comércio na baixa, mandar empregados para casa, e fazer o negócio ONLINE. Ou então vamos todos virar “comerciantes” das “Half-day Montain Tours”, “Safari tours”, ou outro negócio moderno e empreendedor, tudo pelo empreendedorismo e inovação, e fechar todas as lojas e restaurantes do Funchal, deixando abertos apenas os estabelecimentos dos “amigos” das agências turísticas, que nunca lhes falta o negócio e que iludem a cabeça de um povo ingénuo que acha que aquela “casa cheia” é um sucesso natural. A verdade é que não estamos aqui a fazer nada, ou somos apenas palhaços para entreter a vista de quem nos visita? Abrir o estabelecimento, montá-lo, pô-lo bonitinho e desmontá-lo à hora de ir para casa, sem estrear a caixa registadora? Passemos então a chamar a cidade de “Funchal Circus”, pois cada vez se parece mais com isso.

Tanto gabanço com os números das dormidas, completamente enganadores para quem não está dentro do assunto. Hotéis cheios a 80, 90 e quase 100%, cheios de turismo pobre, pé-de-chinelo, mal-educados que nunca saíram de casa. Melhor que nada, dizem. Mas onde estão eles? Dentro dos hotéis? Pequeno-almoço reforçado, salta o almoço e passa ao jantar, sem contar com os “tudo-incluídos” e entretenimentos vários para fazer com eles passem o mais tempo possível dentro do hotel.

Claro que eles acabam sempre por sair, obviamente para andar de autocarro, tirar fotografias e ir à casa de banho nos estabelecimentos sem pagar, dada a nossa condição de vassalagem hospitaleira. É realmente o que os nossos decisores são na área do Turismo: vassalos hospitaleiros, que aceitam qualquer surrapa turística que outros destinos rejeitam, justificando-se com falsas ideias de que a crise é mundial e que já não há turismo gastador. Nada mais falso, qual areia para os olhos dos mais ingénuos. Aliás, somos todos geneticamente vassalos hospitaleiros, pois estamos todos na fossa e ninguém abre a boca, qual cobardia cívica!

Para não falar na desgraça franciscana da iluminação de Natal, qual insulto à população que a paga! Os gostos não se discutem, mas o mau-gosto foi rei e senhor.

Que grande lata, falta de inteligência decorativa, aberração! E a Estudante do Turismo ainda é mal-educada e vem para a televisão dizer gabar a simplicidade da iluminação e que “não é nenhuma desgraça”. Já agora pergunto, para quem são as luzes ligadas durante a semana? A baixa do Funchal é um deserto, um recolher obrigatório onde não se avistam madeirenses após as 20h e turistas tão pouco! Quem paga a factura que se aguente….

Enfim, fica aqui o desabafo. Pode ser que a voz de burro chegue ao céu em tempo de Natal… Ou não.