No final de cada ano é normal fazerem-se reuniões e assembleias gerais de associações, de clubes, de empresas, etc. para fazer balanço do ano e/ou programar o próximo. Mas este ano, para além dessas, têm sido frequentes outras, pelo menos por estes lados. Muitas vezes até são de porta aberta, permitindo a entrada de pessoas que habitualmente não frequentam esses espaços. Para muita gente isto é algo estranho, havendo mesmo quem já afirme que as coisas estão diferentes. Será da crise?
Em todas as reuniões que sou chamado a participar, seja qual for a ordem de trabalhos a política acaba por estar sempre presente, nem que seja no final.
Um dia destes, ao sair de uma dessas reuniões/tertúlias, com cariz mais político-partidário, alguém que ficou no outro lado da sala, passou pelo nosso grupo e saiu-se com esta expressão: “cuidado com as companhias”... Isto fez-me recordar os tempos em que saíamos de casa para as festas/arraiais e os pais faziam várias recomendações. Esta era infalível. O que queriam eles dizer é que as companhias podem influenciar o comportamento e as decisões de cada um.
Nesse dia, corria uma aragem fresquinha típica das tardes/noites de Inverno, a fazer lembrar já a morte dos porcos e as missas do parto, daí que o grupo tenha resolvido ir até à tasca aquecer a garganta. Mas nem assim deixámos de conversar uns com os outros, sempre com base nessa provocação.
Sempre mais ou menos em jeito de brincadeira, mas com algum fundo de seriedade, uns diziam: “Tu estás do lado dele porque é do teu clube”. Ao que o outro respondia: “Pois, tu andas é sempre com os da cidade, que só se lembram dos rurais quando lhes interessa”.
Uma terceira via tentava justificar a sua opção mas houve alguém que levantou a voz e interrompeu para, pensava eu, também dar a sua opinião. Mas não, foi só para lembrar que, para além de ser preciso ter cuidado com as companhias, também é preciso não esquecer o ditado popular “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”. E acrescentou: “são todos filhos do mesmo pai e andaram todos na mesma escola, por isso podem vir agora com ramos de rosas, de cravos, cestos de anonas, grades de cerveja, sacos de cimento ou cadernos e lápis que eu já estou como o São Tomé, é ver para crer”.
E, no meio disto tudo, a poncha da senhora Marta, como sempre, estava óptima.
Joel Freitas