Se questionarmos as crianças na escola “como foi o teu Natal?”, elas logo se desmancham em gigantes enumerações das ofertas e presentes recebidos. Algumas delas (as que têm famílias mais pobres) chegam mesmo a inventar prendas fictícias para que, acreditam elas, não fiquem “abaixo” dos colegas: telemóveis, “tablets” (confesso que durante algum tempo pensei referirem-se a tabletes de chocolate), consolas de jogos, e o brinquedo da última-moda! A lenda do Pai Natal, diz-se, tem como base a figura histórica de São Nicolau, um senhor rico nascido em Patara (Turquia) na segunda metade do séc. III, que generosamente ajudava as pessoas menos abastadas deixando, anonimamente, sacos com moedas junto às chaminés das suas casas. Depois de morrer, e tendo sido bispo parte da sua vida, foram-lhe atribuídos vários milagres e tornou-se um dos santos mais populares. O então São Nicolau, foi escolhido como o santo patrono da Rússia e da Grécia, assim como o patrono das crianças e dos marinheiros. No mundo da fantasia (que eu tanto gosto), diz-se que o Pai Natal foi visto pela primeira vez nas terras alemãs, vestindo-se de verde num casacão quente e num gorro na cabeça, montado os céus num cavalo voador. Hoje, os mais fantasiosos, dizem que o Pai Natal vive numa terra de neve eterna (no Polo Norte ou na Lapónia) com a Mãe Natal, muitos elfos (criaturas comilonas e divertidas de orelhinhas pontiagudas) e renas voadoras de narizes gelados. Sendo sabedor da história São Nicolau, ninguém alguma vez imaginaria que este bondoso santo (transformado agora em Pai Natal) reconhecido pela sua generosidade e compaixão, iria desencadear nos tempos “modernos” uma corrida ao consumismo e à usurpação dos bolsos do povo fazendo crer que o espírito Natalício, ou de São Nicolau, chega arrastando sacos de prendas pesadas com significados “vazios”. Quando preenchemos o pinheiro de Natal com bolas e bolinhas (em família e, quero acreditar, entre abraços e mimos) deveríamos pendurar também na árvore, com grandes laços dourados e brilhantes, a compaixão, a bondade, a generosidade, a fraternidade, a humildade, e no topo, cintilando sobre a estrela principal, o amor! Precisam-se, com extrema urgência, ajudantes do Pai Natal para distribuir pelas chaminés caixinhas coloridas com o verdadeiro espírito do Natal como prenda. Precisam-se, com extrema urgência, ajudantes do Pai Natal para reensinar aos adultos e ensinar às crianças que afinal a prenda de Natal mais rica que poderemos ter é, em si mesmo, o espírito do Natal. Na próxima descrição do tema “Como foi o teu Natal”, espero ouvir dizer que distribuíram abraços entre a família e amigos e foram felizes! Espero ouvir dizer que juntaram os brinquedos “abandonados” no canto do quarto e os ofereceram à instituição mais próxima. Que recolheram as mantas e os jornais velhos e os deixaram no canil para aquecerem os animais sem família. Que fizeram um bolo e o distribuíram pelos vizinhos. Espero realmente ouvir dizer que disseram a alguém: Gosto de ti!
Agnes Freitas Deputada do PAN na ALM