Gil Canha Na sexta-feira da outra semana, o líder regional do CDS, José Manuel Rodrigues deu uma entrevista ao DN, onde disse o seguinte: “Tivemos uma crise na Câmara Municipal do Funchal por confrontos políticos e ideológicos entre os seis partidos que compuseram a coligação da Mudança”. Ora, sr. Rodrigues!... Você sabe melhor que ninguém que não houve confronto político entre os partidos da coligação, aliás, até teria sido saudável que houvesse! Quanto a conflitos ideológicos, a coisa ainda se torna mais caricata e surreal. Nos tempos que correm, ainda alguém acredita em ideologias como propulsoras da acção e do combate político?! Ortega y Gasset referiu na sua obra “La Razón Histórica” que a Guerra Civil Espanhola “foi o último conflito onde de facto se lutou e morreu por princípios ideológicos”, depois desse conflito, os homens foram metendo as ideologias no baú mofento e individualista da história, e hoje em dia, ou os homens pegam apaixonadamente em armas por princípios religiosos, como por exemplo, nos casos da Tchetchênia e da Síria, ou por interesses económicos, como foi o caso da intervenção idiota de George W. Bush, no Iraque, e cada vez menos se encontra por aí gente “à batatada” por questões ideológicas. Assim, sr. Rodrigues, a coligação “Mudança” na CMF nunca foi esse tal “saco de gatos” ideológico que vocês tanto gostam de propagandear, quanto muito foi uma “pinhata”, onde os grandes grupos económicos ligados ao jardinismo e ao Partido Socialista bateram forte e feio, com o intuito de chegarem às “guloseimas” que estavam no interior. Depois de se romper o “papel crepom”, (ou Cafofiano) à cacetada, os “rebuçados” caíram ao chão, e todos saltaram para cima deles ruidosamente. E não foram só os “meninos” do PS que meterem os “bombons” ao bolso, os vereadores do PSD, da CDU e do CDS também participaram “na festança”, tanto que, depois que se desfez a “pinhata” camarária, todos ficaram com a boca doce, e só por essa razão é que nunca mais ninguém os viu a abrirem os queixos, nem na televisão nem nos jornais.