Por hábito, comodismo, ignorância, falta de “arte”, má-fé e muitas outras razões, por vezes, confunde-se a parte com o todo, seja para tecermos os maiores elogios seja para denegrirmos algo ou alguém. É assim normal fazermos generalizações do tipo: - Na América, na Europa, no Continente, na Madeira …, é que é bom ou mau; - Os professores, os treinadores, os médicos, os advogados, os mecânicos, os pedreiros, os jornalistas, são impolutos ou uns vendidos. Até parece que, em cada um desses “locais” ou categorias profissionais, as pessoas e as instituições são todas iguais, têm as mesmas características, os mesmos “defeitos e virtudes”. É verdade que é possível identificar algumas características que podem prevalecer, com maior incidência, em certos grupos ou regiões (ou noutro tipo de categorias). Contudo, isso não nos deve toldar o discernimento ao ponto de cairmos no facilitismo de rotularmos, de forma grosseira e superficial, algo ou alguém, só porque isso nos interessa, seja para esconder a nossa falta de conhecimento e capacidade de compreensão dos fenómenos, seja para endeusarmos ou denegrirmos, a nosso belo prazer, e darmos uma de eruditos na mesa de café, na família, nos órgãos de comunicação social, no local de trabalho, etc. Uma das possíveis explicações para este tipo de fenómeno/comportamento é o facto de sermos educados/formatados (na escola, no clube, na família …) através de processos massificados onde, com a desculpa de todos terem de ser tratados da mesma maneira, não se personalizam os processos de modo a desenvolver, de forma contextualizada, as capacidades e potencialidades de cada um. Agrupar facilita mas, como tudo, tem também inconvenientes. As pessoas são todas diferentes, que o digam os pais que têm mais do que um filho, que, por vezes, se lamentam que os educaram da mesma forma mas “tiveram resultados tão diferentes”! Pois, se eles já eram diferentes, não deveriam ter sido educados da mesma forma. Ou seja, podemos manter os princípios e almejar objectivos educativos semelhantes, por exemplo, que tenham espírito crítico, sejam autónomos, criativos, responsáveis e com capacidade de adaptação, mas depois não podemos aplicar “receitas” pré formatadas independentemente das características de cada um, do seu nível de desenvolvimento e da capacidade de resposta ao que lhes é solicitado. Temos (professores, treinadores, pais, …) de atuar em cima da resposta que é dada e não de progressões pedagógicas estereotipadas, crenças e “fezadas” que impomos a nós próprios através das nossas vivências. É evidente que não é fácil ser professor, treinador ou pai, … com tantos constrangimentos, por exemplo, de ordem “burocrático-administrativa”, da pressão dos resultados de curto prazo (exames ou competição) ou mesmo das solicitações consumistas ou propostas de “trabalho/ocupação do tempo” bem mais apelativas que a escola, o clube ou o ambiente familiar. Contudo, já há conhecimento e meios disponíveis para personalizar os processos, mesmo quando temos a responsabilidade de educar “muitos ao mesmo tempo”. Assim queiramos sair da nossa zona de conforto e saibamos assumir as nossas responsabilidades …

Hélder Lopes Professor Universitária