A recente introdução do novo modelo de transportes para os Açores expôs a má politica (ou falta da mesma) seguida na Madeira. Trata-se de dar mais um passo atrás numa área essencial como é a dos transportes aéreos para a população, alternativa única para sair do arquipélago e conhecer o Mundo. Atualmente o madeirense paga em média 2,6 vezes mais do que um açoriano para viajar ao continente, com a agravante de os Açores estarem 1,5 vezes mais distantes do Continente do que a Madeira. Trocado por miúdos o madeirense para percorrer 973 quilómetros paga 26 cêntimos por quilómetro, enquanto o açoriano paga apenas 10 cêntimos por cada quilómetro percorrido dos 1446 quilómetros que precisa de viajar para chegar ao Continente. Mesmo aplicando o subsídio de mobilidade de 60 euros nas deslocações ao Continente a diferença continua a ser gritante, o preço do bilhete passaria para 190 euros, ou seja, 20 cêntimos por quilómetro que é 2 vezes mais alto que o pago pelos açorianos. Mais grave é saber que aplicando o mesmo modelo dos transportes aéreos dos Açores na Madeira, não só os madeirenses passariam a pagar no máximo 97,30 euros, como também a justiça social seria feita entre os dois arquipélagos. Preço Máximo que o Madeirense paga se o modelo de transportes dos Açores for aplicado = = 973 kms * 10 cêntimos = 97,30 euros O madeirense continua a viajar de avião nu quando se compara com um residente em Lisboa ou Porto que por 250 euros consegue viajar pela Europa Ocidental, e não estou a falar em viagens low-cost. Será que a atual situação demonstra justiça no tratamento do madeirense? Ficam sérias dúvidas, ainda mais está demonstrada que a corrente situação precisa de uma mudança urgente e impera a ação para com a defesa dos interesses madeirenses. Já não bastando o facto de os ordenados praticados fora das ilhas serem superiores é adicionado a agravante de o madeirense pagar as tarifas médias mais caras. Certamente quando o madeirense viaja só pode ir nu.
André Castro Gestor de empresas /consultor