No início de outubro de 2014 foi lançado, na Madeira, o CD “A Viola no Século XIX: Música de Salão na Madeira”, que foi gravado pela Guitarrista Galega Isabel Rei Samartim. As obras agora gravadas foram descobertas num manuscrito encontrado pelo investigador e musicólogo Manuel Morais, onde constam um conjunto de partituras da primeira metade do século XIX encontrado no Funchal, que contém peças a solo, a duo e para voz e guitarra, ou viola, que revelam a atividade do guitarrista madeirense J. M. J. Cabral para além de outros autores europeus como os italianos E. Carosio, G. Paisiello. Para além da qualidade musical, o manuscrito revela-se muito importante para conhecer o reportório dos guitarristas da primeira metade do século XIX. As obras gravadas são: Fantasia sobre ária “Nel cor più non mi sento” de G. Paisiello (tema e cinco variações); três rondós; “Sur margine d’un rio” (tema e cinco variações); Três danças; “O Doce Concento” (tema e seis variações); Três valsas; Ária com explicações (tema, seis variações, polca mazurca, bolero sevilhano, moderato e traviata brindesi); termina com um “extra”, uma valsa de Cândido Drumond de Vasconcelos (músico madeirense) que a guitarrista interpretou com o Braguinha (machete madeirense) e a Guitarra. Um CD com uma excelente qualidade, gravado no Estúdio da Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia pelo Técnico de Som, Eduardo Gonçalves, com a supervisão do musicólogo Paulo Esteireiro, a quem a Guitarrista faz um agradecimento especial na obra. Esta foi uma edição da Associação Regional de Educação Artística, que pode ser adquirida na sua livraria on-line: www.areavirtual.pt constituindo uma excelente prenda de Natal. Isabel Rei Samartim estudou viola na Galiza e na Alemanha com os professores António Rocha, David Russell e Thomas Müller-Pering. Foi premiada no Ciclo de Jóvenes Intérpretes da Fundação Pedro Barrié de la Maza (Crunha), no Concurso Internacional de Guitarra de Cantabria (Comilhas), no Concorso Internazionale di Chitarra Fernando Sor (Roma) e nos concursos internacionais de Vila de Petrer (Alacant) e Andrés Segovia de Linares (Jaen). Estreou obras de Eduardo Morales, Rudesindo Soutelo e Antonio Rocha. Em 2010 publica junto com José Luís do Pico Orjais a edição crítica do cancioneiro popular Ayes de mi país de Marcial Valladares (Ed. Dos Acordes). Prepara a edição e gravação do acervo musical da família Valladares (Vilancosta, Galiza), a conter obras para guitarra, entre outros instrumentos. Também trabalha como professora no Conservatório Profissional de Música de Santiago de Compostela. Realizou recitais na Bélgica, Alemanha, Itália, Brasil, Galiza e Portugal, tendo participado na segunda edição do Congresso da Cidadania Lusófona (Lisboa, 2014) com a interpretação da música galega achada nas suas pesquisas.
Carlos Gonçalves Investigador integrado do CIPEM