Leitor identificado Da mesma forma que o extinto regime soviético rebaptizava tudo para exaltar as “vitórias do povo antes oprimido”, também por aqui se trata de fazer o mesmo, como já aconteceu com a Quinta das Angústias, que hoje tem outro nome qualquer, ou com a Herdade da Achada Grande, transformada em “Herdade do Chão da Lagoa” em homenagem a piqueniques passados. Agora que estão criados os “Novos Territórios”, roubados ao mar, a criatividade não tem limites e as inaugurações segmentadas que têm ocorrido são a perfeita demonstração disso mesmo. Ele é a Praça da Autonomia e a Praça do Povo. Ele será a Praça do Grande Líder, junto à foz da ribeira de São João (o que implica a relocalização do busto do Sr. Francisco Sá Carneiro). Ele será a Alameda da Região Sem Medo (desde o antigo barco dos Beatles até ao arsenal dos ingleses), a nova Praça dos Autóctones Invictos (localizada na passadeira em frente à TAP). E sabe-se lá que mais... Como por trás de um grande líder há sempre uma equipa coesa, dinâmica e cujos contributos são importantíssimos para a Vitória Final, também haverá uma Azinhaga do Director Regional, um Beco do Chefe de Divisão, quiçá uma Travessa do Auxiliar Administrativo. Não, não, esta não! Já cá faltavam estas democracias! Calculando a frente de obras da baía em aproximadamente 1.000 metros, supõe-se que faltem 8 inaugurações, pelo que as sugestões não se esgotam aqui. Depois de todas estas inaugurações ainda vai haver uma cerimónia de renomeação de conjunto, passando a zona costeira da cidade a designar-se Baía da Resistência ao Invasor. Nem o Uderzo e o Goscinny fariam melhor com a sua irredutível aldeia gaulesa. O problema aqui é que já não há poção mágica! E o Panoramix nunca chegou a aparecer.