Caro leitor, é daquelas pessoas que com frequência costuma dizer que nada percebe de música? Pois hoje pensámos em si. Trazemos alguns conceitos e enquadramentos que estamos certos, o irão ajudar da próxima vez que assistir a um espetáculo, um concerto ou outra performance artística. Na sua essência, a música apresenta três patamares: práticas musicais académicas, práticas musicais amadoras e práticas musicais profissionais. As primeiras resultam diretamente de uma aprendizagem, incluindo a noção de escola, quer seja ensino livre quer seja ensino especializado. As segundas, as práticas amadoras, refletem os ambientes das sociedades de recreio e cultura e as associações musicais, bem como todas as formas de agrupamento de executantes, à volta da noção de ensaio coletivo. Por fim, as práticas profissionais envolvem, a tempo inteiro, uma escolha pessoal para toda a vida, reafirmada por percurso académico ou prática sistemática durante anos perante o público e a comunidade artística. Quanto às finalidades, é bom de ver que os «Profissionais» vivem em exclusivo da sua atividade laboral. Os «Amadores» (caso das bandas filarmónicas, tunas, coros, grupos de folclore, grupos de animação, grupos de baile, etc.) têm uma outra profissão auferindo neste tempo livre, algum rendimento sobretudo na época alta do Verão. Resta-nos os «Aprendizes/Alunos» cujo perfil, aconselha a apresentação em audições escolares, concertos, intercâmbios culturais, festivais infanto-juvenis e todas as formas de partilha musical em contexto de formação e desenvolvimento de aprendizagens (técnica e artística). Sendo o seu público-alvo crianças e jovens dos 7 aos 17 anos, não podem estes assinar contratos. Teriam de ser os pais a assumir essa responsabilidade ou a ceder essa competência a outra entidade. Olhando, friamente, para essa hipotética situação, estaríamos em muitos casos perante exploração artística de menores. Mas, isso não se passa na Madeira, pois não? É na harmonização dos patamares e finalidades da música que o MERCADO ARTÍSTICO se equilibra, abrindo para o FUTURO a porta da EMPREGABILIDADE. Por fim, referir que a música é um organismo vivo que requer carinho, alimento, prevenção, regulamentação, fiscalização e nalguns casos processos cíveis, com penas exemplares, sem direito a aclaração por parte dos tribunais.

Vítor Sardinha Músico