O problema não é termos licenciados a mais. Será mais termos demasiados maus licenciados. E não falo nos cursos fast-food de Relvas e Sócrates. Falo no ensino em geral que se degradou, muito por culpa da meta facilistista das estatísticas, que ainda assim nos deixa muito longe, bem na cauda da Europa que fraulein Merkel diz que temos de pertencer. Temos, de facto, licenciados que nem na língua mãe sabem escrever sem a atropelar e a culpa não é [só] deles, é de quem deixou que assim fosse.
O que me chateia não é saber que sob um determinado ponto de vista a chanceler tem razão. Não, não é o de termos demasiados licenciados. É o de termos um ensino bastante desadequado à realidade, por um lado, e estarmos estrangulados pela austeridade, por outro, o que faz com que na verdade se estude para ir partilhar conhecimentos para o Centro de Emprego. Mas disto, a senhora Europa não falou.
O que me chateia mesmo é a sobranceria de quem diz sem pudor algum que não precisamos de licenciaturas para trabalhar nas fábricas alemãs e quem somos nós para querer ter as nossas próprias fábricas?.
Não, não temos licenciados a mais. Temos menos, menos que todos os outros. Mais abandono escolar e olhem bem onde isso nos trouxe.
O ensino nunca é demais para nenhum povo. A diplomacia também não. É como as colheres de chá. E isto de meter o bedelho no quintal dos outros olhando por cima do ombro é feio e não se faz.. De facto não se ensina nas escolas, mas na vida. Diplomacia, senhora Merkel. Não aprendeu na licenciatura, pois não?. Olhe, estudasse!
Sandra Cardoso