Nunca ao longo da sua história recente, o serviço regional de saúde teve tantas carências como atualmente Nas últimas três décadas o setor da saúde tem andado ao sabor das legislaturas e seus mentores, sem uma visão e uma estratégia comum que a médio e a longo prazo, permitam responder às necessidades em saúde da população, sem onerar desmesuradamente o orçamento do setor. A ausência de planeamento, a insuficiente utilização das potencialidades instaladas, a implementação no início de cada novo ciclo de projetos de duvidosa utilidade, o restabelecimento de arcaicas práticas, a manutenção de análogos procedimentos, nada acrescentam á sustentabilidade, eficácia e eficiência que se pretende dos serviços de saúde. Com uma visão privatística, os meios e o foco da atenção no âmbito da saúde concentra-se atualmente na vertente do serviço hospitalar, numa ótica do tratar, preocupada cada vez mais em reduzir custos e apresentar números. O atual modelo de empresarialização da saúde pelos dados que nos são permitidos analisar teve como objetivo de fundo, não assegurar aos cidadãos um melhor serviço de saúde ao mais baixo custo, mas sim ocultar ao orçamento regional uma parcela do défice das contas públicas. Este modelo de entidade pública empresarial fica mais caro que o serviço público, aumentou os encargos dos utentes com a saúde e degradou as condições de trabalho dos profissionais. Nunca ao longo da sua história recente, o serviço regional de saúde teve tantas carências como atualmente, nomeadamente recursos humanos, particularmente enfermeiros. Na corrida desenfreada para diminuir custos, apresentar obra e ter resultados, a atual equipa que governa o serviço regional de saúde sem melhorar qualquer indicador de saúde, marginalizou profissionais, desfez estruturas de chefia e serviços, diminuiu o número de enfermeiros por serviços e por turnos, modificou regimes de horários, reduziu a admissão de novos profissionais, numa região que ao contrário do discurso oficial, continua a ostentar um grande défice de enfermeiros. Não valorizados, mal remunerados e pouco reconhecidos principalmente inter pares, com insegurança no emprego, com precárias condições de trabalho, os serviços têm vindo a se debater com o aumento do absentismo e o abandono da profissão, numa situação onde aumenta a deterioração moral e a insatisfação profissional, assim como as situações de stress, doenças profissionais e acidentes em serviço, com consequentes ameaças para a qualidade e segurança dos cuidados prestados aos utentes. O aumento da carga de trabalho dos enfermeiros quer pelo aumento do numero de doentes atribuídos, quer pelo aumento do numero de horas de trabalho é referido em vários relatórios tanto na década de oitenta nas reformas dos serviços de saúde inglês, como pelo comité consultivo canadiano sobre os cuidados de enfermagem, como prejudicial, com consequências nefastas para a prestação de bons cuidados de enfermagem ancorados no reconforto, no ensino e numa boa comunicação com o utente. Porque estamos a falar de um quadro de valores e de condições laborais para profissionais que cuidam de pessoas, fragilizadas que precisam de cuidados, de atenção e de disponibilidade, a proposta apresentada pelo SESARAM para regulamentar regimes e horários de trabalho, piora a legislação em vigor, enquadrar-se numa lógica de desregulamentação laboral, descontextualizada da historia, entidade e evolução da profissão, atentatória à sua função social. Juan Carvalho

Nunca ao longo da sua história recente, o serviço regional de saúde teve tantas carências como atualmente

Nas últimas três décadas o setor da saúde tem andado ao sabor das legislaturas e seus mentores, sem uma visão e uma estratégia comum que a médio e a longo prazo, permitam responder às necessidades em saúde da população, sem onerar desmesuradamente o orçamento do setor.

A ausência de planeamento, a insuficiente utilização das potencialidades instaladas, a implementação no início de cada novo ciclo de projetos de duvidosa utilidade, o restabelecimento de arcaicas práticas, a manutenção de análogos procedimentos, nada acrescentam á sustentabilidade, eficácia e eficiência que se pretende dos serviços de saúde.

Com uma visão privatística, os meios e o foco da atenção no âmbito da saúde concentra-se atualmente na vertente do serviço hospitalar, numa ótica do tratar, preocupada cada vez mais em reduzir custos e apresentar números.

O atual modelo de empresarialização da saúde pelos dados que nos são permitidos analisar teve como objetivo de fundo, não assegurar aos cidadãos um melhor serviço de saúde ao mais baixo custo, mas sim ocultar ao orçamento regional uma parcela do défice das contas públicas. Este modelo de entidade pública empresarial fica mais caro que o serviço público, aumentou os encargos dos utentes com a saúde e degradou as condições de trabalho dos profissionais.

Nunca ao longo da sua história recente, o serviço regional de saúde teve tantas carências como atualmente, nomeadamente recursos humanos, particularmente enfermeiros. Na corrida desenfreada para diminuir custos, apresentar obra e ter resultados, a atual equipa que governa o serviço regional de saúde sem melhorar qualquer indicador de saúde, marginalizou profissionais, desfez estruturas de chefia e serviços, diminuiu o número de enfermeiros por serviços e por turnos, modificou regimes de horários, reduziu a admissão de novos profissionais, numa região que ao contrário do discurso oficial, continua a ostentar um grande défice de enfermeiros.

Não valorizados, mal remunerados e pouco reconhecidos principalmente inter pares, com insegurança no emprego, com precárias condições de trabalho, os serviços têm vindo a se debater com o aumento do absentismo e o abandono da profissão, numa situação onde aumenta a deterioração moral e a insatisfação profissional, assim como as situações de stress, doenças profissionais e acidentes em serviço, com consequentes ameaças para a qualidade e segurança dos cuidados prestados aos utentes.

O aumento da carga de trabalho dos enfermeiros quer pelo aumento do numero de doentes atribuídos, quer pelo aumento do numero de horas de trabalho é referido em vários relatórios tanto na década de oitenta nas reformas dos serviços de saúde inglês, como pelo comité consultivo canadiano sobre os cuidados de enfermagem, como prejudicial, com consequências nefastas para a prestação de bons cuidados de enfermagem ancorados no reconforto, no ensino e numa boa comunicação com o utente.

Porque estamos a falar de um quadro de valores e de condições laborais para profissionais que cuidam de pessoas, fragilizadas que precisam de cuidados, de atenção e de disponibilidade, a proposta apresentada pelo SESARAM para regulamentar regimes e horários de trabalho, piora a legislação em vigor, enquadrar-se numa lógica de desregulamentação laboral, descontextualizada da historia, entidade e evolução da profissão, atentatória à sua função social.

Juan Carvalho