Há dias perdi um amigo. Poderão eventualmente achar que para mim foi uma perda menor. E se calhar, comparada com a perda que foi para a sua mulher e filhas, até foi. Mas eu não tenho muitos amigos, e este amigo era muito especial.
Há dias perdi um amigo que conversou, que apoiou, que esteve lá para mim. Que lutou até ao fim, com um sorriso, e com a afirmação sistemática que ia chegar lá.
Não chegou, foi mais forte que ele, mas nunca desistiu, nunca parou de afirmar o amor que sentia pela sua mulher e pelas filhas, e pela vida.
Trabalhamos juntos muitas vezes, particularmente ao longo dos últimos anos, e era sempre um prazer estar com ele. Saber que íamos acabar o dia com clientes satisfeitos, porque tínhamos feito o melhor que sabíamos e podíamos, e que este saber e poder era especial, e que fazia a diferença entre o normal e o especial.
Aprendi com ele, como ele aprendeu comigo. Como aprendi com todas as pessoas com que trabalhei. E o que aprendi com ele, para além de toda a sua sabedoria de anos de trabalho, e de toda a sua experiência na Madeira, foi a sua maneira de estar na vida. A convicção que o que era para fazer era para fazer bem, de forma a que todos saíssem satisfeitos.
Que o fazer bem podia demorar mais um pouco, ser um pouco mais cansativo, mas que a diferença entre o fazer e o fazer bem, em última análise, valia o esforço, e que as pessoas valorizavam a diferença.
Gostava que fosse este o legado do Emanuel para todos nós. A convicção que o fazer bem vale a pena, e que é a diferença entre sermos mais um, ou sermos especiais. E isto vale para todos nós, independentemente do que se faça, e para quem se faça.
Roberto Loja