Desde que fui convidado para escrever estas crónicas procurei sempre pautar as minhas linhas pela coerência (dentro do possível ao adepto ‘cego’) e pela crítica construtiva (mesmo que por vezes mal interpretada). Acima de tudo interessa-me o Marítimo, como clube do coração, e que ele seja sempre bem-sucedido, pois as suas alegrias são as minhas alegrias e, naturalmente, a de todos os Maritimistas. Por isso é que não tenho qualquer problema em apontar o dedo quando as coisas, no meu ponto de vista, também não são as mais correctas ou em conformidade com os pergaminhos do nosso clube. E assim chegamos à jornada 9ª e ao jogo frente à equipa de Moreira de Cónegos, um jogo que merece uma série de reparos.
Eu tenho elogiado a atitude da equipa desde o primeiro dia. Tem sido mesmo a imagem de marca desta nova equipa de Leonel Pontes, na forma de uma turma aguerrida, que nunca desiste, mesmo perante a adversidade do resultado ou das contingências do jogo. É certo que essa atitude esteve lá mas no ‘jogo jogado’ vimos uma equipa a jogar mais com o coração à solta do que com o raciocínio lógico de uma cabeça clara. Não sei se começa a acusar alguma da sua juventude, se as últimas derrotas afetaram a equipa, mas o que vimos foi um Marítimo muito ansioso, a querer resolver tudo muito depressa e na maior parte das vezes sem discernimento. Imensos passes transviados, muitos cruzamentos para fora ou para as mãos do guardião adversário, erros na recuperação defensiva e até Salin, talvez o mais experiente de todos, andou aos papéis várias vezes e fora da sua área de jurisdição! Há momentos em que ter atitude não chega. O próprio comportamento da equipa fora de portas (sendo certo que duas deslocações foram ao Dragão e a Alvalade) evidencia uma equipa ainda algo verde (ou pouco matreira). E depois são já 9 golos sofridos em três jogos, muitos deles nascidos de erros individuais com repercussões no colectivo e, claro, no resultado final. Leonel tem algum trabalho aqui para resolver. Sendo certo que não há nada que uma vitória não cure.
Mas há que dar o mérito ao Moreirense e ao seu treinador. Com a lição super estudada, a equipa de Miguel Leal anulou (e vulgarizou) o Marítimo na primeira parte, roubou-lhe a bola com uma pressão alta e teve mesmo as melhores oportunidades para aumentar a vantagem. Mas para isso também contribuiu alguns erros de ‘casting’ no onze do Marítimo. Gallo esteve totalmente fora de jogo, e o meio campo deu pouca verticalidade, chocando quase sempre de frente com a bem montada muralha do Moreirense. Colocar Maazou emparedado entre os centrais contrários é também desperdiçar as melhores qualidades do nigerino (velocidade e força), sendo que este tipo de jogo é mais à medida do Dyego, com Maazou a poder descair para as alas.
Com as alterações promovidas a equipa melhorou, chegou ao empate mas, logo de seguida, embruteceu, tal como na primeira parte. E depois vieram os erros. Bastará lembrar que o segundo golo do Moreirense podia ter sido morto logo à nascença, tivesse Gegé simplesmente cabeceado para a frente ou atirado a bola para fora! Meus amigos, que isto vos sirva de lição. Jogar simples, atirar uma bola para a bancada quando necessário, cruzar de primeira sem ter de fintar cinquenta adversários é também bonito. E útil. E dá pontos.
O Marítimo tem dois jogos importantes. Setúbal fora, Boavista em casa. É imperativo vencer estas partidas. Com sofrimento é certo. Mas seis pontos serão muito saborosos
Luís Miguel Rosa