A pergunta já carrega em si o maior problema do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM): a sua instabilidade, e com esta a imprevisibilidade e sua consequência, a desconfiança, palavra proibida quando falamos de investimento.

E assim acabou de ser descrita a fórmula que faz com que quaisquer investidores, e quem os poderá censurar, fujam do CINM a 7 pés.

Em toda a sua história, mas com uma maior evidência a partir de 2011, o CINM foi delapidado naquilo que o tornou competitivo internacional, e inquestionavelmente, nacionalmente, mesmo no meio da amálgama de artigos em que se tornou o EBF, tendo chegado a um ponto onde para a maioria dos empresários, consultores e até mesmo decisores públicos, este, o CINM, passou a ser irrelevante por...já não existir.

Mas o CINM existe, e não, ainda não terminou - mas sabe Deus os esforços que foram envidados para que este objectivo, de enterrar o Centro, fosse alcançado – é preciso denuncia-lo, se for preciso gritando-o a plenos pulmões.

No entanto, não está na sua melhor forma, mas é verdade que também já esteve pior, ainda não temos novo regime e portanto, para já, não haverá licenças para novas sociedades a partir de 1 de Janeiro de 2015, mas as duas prorrogações para o licenciamento durante 2014 pela Comissão Europeia e a autorização legislativa já contante do OE para 2015, que permitirá ao Executivo transpor para o Ordenamento Jurídico Português as regras do novo regime a vigorar a partir de 2020, faz acreditar num futuro mais risonho para o CINM e consequentemente para a RAM e para Portugal.

Se o novo regime devolver alguma da competitividade retirada em 2011 e 2012, e se o conjugarmos com a (tímida) revisão dos plafonds em 2013 e com a reforma do IRC (antes tardia do que nunca) em 2014, então o esforço de todos os profissionais do CINM e de todos os intervenientes, também políticos, terá compensado, à Portuguesa é certo, cheio de percalços, dramas, reviravoltas, insistências, depois de muitas horas a surpreender/informar/desmistificar mas sobretudo depois de muitíssimo, mas muitíssimo mesmo, trabalho… no final, e é aí que se fazem as contas...terá compensado.

Agora que o leitor está imbuído de um justificado e até mesmo emocionante - raro e pontual bastando, como exemplo, olhar para o restante OE e as expectativas que se criaram de uma imediata redução na carga fiscal das famílias - entusiasmo em volta do que 2015 nos trará a todos…é hora de falar dos desafios que enfrentaremos em 2015– e aí volta o drama!

Para que o leitor possa controlar a sua pressão arterial deixe-me já antecipar que todos os desafios se prendem com as decisões políticas que aí vêm! Não ajudou pois não…

Então vejamos, 1º: ainda em 2014 teremos as eleições internas do PSD-Madeira. Sendo muito positivo que todos os candidatos se declarem pró-CINM e reconheçam os benefícios que este traz para a RAM, também se percebe que há candidatos com uma ideia mais sólida e com uma estratégia mais clara para o Centro, o que origina o primeiro ataque de ansiedade, visto que se um dos candidatos menos preparados ganhar, e logo se posicionar como potencial futuro Presidente do Governo Regional da RAM, traz de imediato uma incerteza de como este conduzirá o CINM.

De forma a sumariar o binómio CINM / política regional, podíamos dizer o seguinte: apenas o CDS-PP já tornou pública a sua clara estratégia para o CINM, havendo, para já, por parte dos restante partidos um silêncio sobre a matéria. Assim sendo o leitor terá de usar como indicador as declarações do PCP e BE na Assembleia da República e relativamente ao PS o trabalho do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo do Eng. José Sócrates, Dr. Sérgio Vasques. Aproveitando esta boleia,

2º: relembro que o PS nacional se encontra em mudança e nada se sabe sobre o que pensa o Dr. António Costa sobre esta temática e fazendo o PS parte do chamado “Arco do Poder” é fulcral para o CINM que se perceba quais as suas intenções.

E assim, concentrando-nos agora de facto de que em 2015 vêm aí duas eleições de crucial importância para o CINM, 3º, a Eleição para a Assembleia da República e em 4º a Eleição para a Assembleia Legislativa da RAM.

Portanto, e como o sagaz leitor já há muito percebeu, a tal toada positiva, entusiasmante, emocionante etc., que o CINM vinha conhecendo pode num passe mágica, ou neste caso 4 passes, todos relativamente independentes, esfumar-se.

Retirando este tom mais jocoso ao assunto, até porque não haverá muitas razões para rir, são quatro eventos fulcrais para o CINM colocando-o, no caso de não haver um alinhamento estratégico entre todas as forças, mais uma vez em perigo, levando aos investidores os tais sentimentos iniciais que comprometerão de forma irreversível(?) o CINM.

Daí a pertinência e actualidade da pergunta que até poderá ser levemente alterada: No final de 2015, e o CINM?

Carlos Perdigão Santos