É hora de abrir regos!
1. O governo regional foi convidado a participar no debate plural e apartidário sobre os transportes. Não apareceu. Honrou o estatuto. Na lógica reinante, executivo que se preze não se mistura com quem sabe mais do sector e que, sem preconceitos, contribui para melhorias substanciais no futuro colectivo. Mas servirá de alguma coisa peguilhar com quem já pertence ao passado, geriu tudo com bases em palpites e nada decide? Não, se por exemplo nesse dia a secretária Estudante estivesse em Lisboa a negociar a revisão urgente da liberalização da linha aérea e não andasse entretida com expedientes domésticos que podem ser tratados a qualquer dia e hora. Ou se tivesse o bom senso de não patrocinar estórias interessantes mas que não garantem mais e melhores transportes, de qualidade e a bom preço. Hoje e amanhã quem tutela o sector organiza um colóquio sobre a ‘Mobilidade e Insularidade’ que pretende reflectir, imaginem, “sobre as relações possíveis entre a mobilidade e o destino das ilhas e dos ilhéus e sobre a importância das portas das ilhas nessas movimentações humanas”. Do programa constam coisas típicas do canal história que eles dizem ser expressão das “várias áreas do saber”. As questões são profundas: “Enquanto espaços de fronteira, as ilhas são, lugar de partidas e de chegadas. Ligar-se-á, por isso, o conceito de insularidade ao de mobilidade? Até que ponto os contextos insulares são – eles próprios – motores e razões das mobilidades?”. E nós a pagarmos para isto.
2. “Cuspir no prato” transformou-se na zoada da semana. Não há discurso sem tamanho insulto. Só que os seis candidatos à liderança do PSD-M têm tudo para se verem livres deste caldinho, servido a meias com sopa de trombas ou jardineira azeda. Basta que comecem a coleccionar cuspidelas do ainda líder e a exibi-las na praça pública. Custa muito ou falta-lhes palco?
3. Por atremar está a novela de homenagem a Cristiano Ronaldo. Quem assume fazer a festa, lançou os foguetes, mas consta que pediu a alguém para apanhar as canas! Deixem-se de fitas e digam lá quem paga a estátua, a mesma que na pressa da passada sexta-feira tinha 3 metros e encolheu para 2,40 m no sábado de manhã. Paga a Diocese, o Governo ou…? O DIÁRIO vai contar o que falta saber um dia destes.
4. Os renhetas estão activos. Não suportam o fim de regime e do tacho. Esperneiam. Solução? Alapam-se às alternativas, à vez, dada a incerteza que reina no laranjal. Aparecem em jantares de Manuel António, pertencem a grupos de Cunha e Silva, fazem likes a Miguel Albuquerque, minuciam Sérgio Marques, rezam para que Miguel de Sousa não lhes faça uma dedicatória e insinuam-se junto de Jaime Ramos para terem artigos no ‘Madeira livre’. Verticalidade não é com eles.
5. Os apilhados da semana ainda não estão identificados. Mas não tarda que se saiba quem nos trocou as voltas. Escrevemos com base em desenhos e garantias oficiais que a rotunda da Autonomia teria três faixas de rodagem. A obra agora reinaugurada só tem duas. A menos que esteja encoberta por um dos achados históricos – já agora, em que mandato camarário foram atupidos ou será que a construção do parque de estacionamento do Pelourinho não foi vistoriada? – que é feito da terceira faixa prometida? Terá sido trocada pelas dezenas de semáforos que fazem com que a avenida do Mar mais pareça uma árvore de Natal?