Acordar, fazer mentalmente as tarefas do dia-a-dia, pensar que as vinte e quatro horas não chegam para todos os compromissos, e preocupar-se com um excelente desempenho na vida profissional, familiar e social, traduz-se numa sobrecarga interior a que chamamos, vulgarmente, stress. Sem se aperceber, começa por encolher os ombros, afundar a cabeça, cerrar os dentes e a contrair, indevidamente, toda a musculatura da coluna. Todas as preocupações, receios e ansiedades tiveram um destino – os músculos. O stress provoca a libertação da hormona cortisol – responsável pelo aumento da susceptibilidade à dor e ao cansaço muscular – e a diminuição da circulação sanguínea reduzindo o “apport” de oxigénio e nutrientes para os músculos. A diminuição da energia necessária, associada ao aumento do cortisol, fará com que a musculatura permaneça contraída, sem capacidade para relaxar espontaneamente, provocando dor e rigidez. A dor resultante é, geralmente, sentida na cabeça, pescoço, articulação temporomandibular, ombros e região dorsal. A tensão muscular exacerbada irá aumentar a predisposição a lesões, visto que os músculos estão previamente contraídos e menos capazes de tolerar quaisquer esforços ou gestos realizados diariamente. Colocar o cinto de segurança, conduzir, carregar uma bolsa, vestir um casaco ou colocar roupa no estendal poderão ser suficientes para causar uma lesão. Facilmente, pode ser criado um ciclo vicioso para o stress e para a dor. O stress irá causar o aumento da tensão muscular traduzindo-se em dor que, por sua vez, levará ainda a uma maior exacerbação do stresse. Com a ajuda de profissionais especializados, o exercício físico moderado, os alongamentos, a reeducação da respiração e a realização esporádica de massagens terapêuticas irão ajudá-lo a superar as consequências do stress. Lembre-se também que aprender a gerir o stress deverá ser um processo contínuo, tal como o do fortalecimento de um músculo.

Andreia Freitas Fisioterapeuta