Inicialmente o artigo que planeara partilhar nada tem a ver com este texto. Aliás o que tinha preparado e penso que ainda terei oportunidade de o publicar, era sobre Economia e Fiscalidade (que diferença abismal!). Contudo não consegui ter o texto pronto a tempo e, por outro lado, seria inoportuno publicar um texto sobre estes temas em vésperas da conferência que o Sérgio Marques irá organizar e que contará com a presença do João Duque, referência nestas matérias e que espero que consiga esclarecer algumas das minhas dúvidas, para poder ter mais informações. Eu nem sou especialista nestas matérias, o pouco que sei proveio de uma disciplina semestral que tive na Universidade sobre Fiscalidade e era na área desportiva, mas como sou um curioso e ao mesmo tempo afortunado por estar ligado à candidatura do Sérgio Marques, onde é permitido portar-me como um “ser pensante”, penso que o texto poderá ver a luz do dia. Aliás este meu texto advém exatamente dessa Liberdade que nos é dada no seio da equipa. Somos convidados a gerir a possibilidade de escolha, a capacidade de reflexão, de incitarmos à partilha de ideias e reflexões, de compreender a diferenças sobretudo a alheia, coisa que parece incomodar por estes dias em certos meandros sociais, laborais e políticos. Principalmente porque estamos num período crítico da sociedade madeirense, que ao invés de trazer o melhor de todos, principalmente de nós os militantes, parece fazer emergir exatamente o oposto. Contudo os que se apelidam de “não militantes” também têm dado um ar da sua (des)graça. Tudo isto trouxe-me à memória um ‘western spaguetti’ que vi há largos anos a esta parte denominado de “O Bom, o Mau e o Vilão”. Resumidamente a história desenrola-se com o “Vilão”, a conseguir convencer o “Bom” a entrar num esquema para aumentar o seu número de recompensas, através da apreensão do “Vilão”. O esquema consistia em diversas paragens ou cidades, o “Bom” trocar o “Vilão” pela recompensa oferecida (dado que ele é um bandido procurado) para depois aquando da cerimónia de enforcamento salvá-lo da situação. Junte-se-lhes o “Mau”, mercenário categorizado pelas bandas do Oeste Selvagem, louco por obter os 200.000 dólares em moedas de ouro escondidos algures num cemitério em pleno cenário de Guerra Civil Americana. A moral deste filme traz-me uns laivos de identificação com a realidade que se vive por estes dias, principalmente com o surgir de algumas manobras e atitudes que têm condicionado o normal funcionamento das instituições, principalmente as públicas e de quem nelas labora, pelo efeito de ações diretas, provenientes de pessoas devidamente identificadas com as equipas; e indiretas, pelas pessoas que não querem ou fazem de conta, não estarem ligadas a nenhuma equipa, mas que ostracizam os de outras. Temos tido muito poucos “Bons” por estas bandas, aliás estou crente de que nesta campanha é o meu candidato, Sérgio Marques, que tem assumido esse papel de forma singular, pelas propostas, pela ousadia, pelo tino, pela educação, pela sobriedade e sobretudo pela capacidade de não gerar qualquer conflito, mas sem perder a possibilidade de um “combate” cordial e adulto, como temos podido verificar nos diversos momentos. Todas estas atitudes parecem dar alguma “comichão” a uns “Vilões” que por aí deambulam no horário de expediente, mas que ao contrário do filme não conseguem convencer os “Bons” dos seus esquemas, e por isso fartam-se de rapinar e plagiar ideias acrescentando alguma pompa e circunstância à ocasião de propaganda como se tivessem descoberto a pólvora, acrescente-se ainda um discurso pró-governo sem novidades e, até, um pouco condescendente, como se não houvesse no mínimo coresponsabilização do que se vê pelas esquinas e brumas daquilo que a nossa Região Autónoma já foi. Faço um aviso à navegação: por cá temos algumas cidades, tal como no filme, mas não há recompensas para dividir nem “Bons”, “miseirentos” de espírito para converter. Mas se quiserem e aceitarem há muito trabalho para fazer. Depois temos os “Maus”… Reconheço que senti dificuldade em diferenciá-los dos “Vilões”, mas depois apercebi-me que alguns sentimentos humanos, como a ganância leva-nos a querer tudo ou todas as coisas que passamos algum tempo a admirar. Um sentimento tão forte que nos leva a adotar comportamentos erróneos, como fazer promessas sem desdém a terceiros a troco de apoio e acrescentando os castelos de algodão doce que tentam vender, quando o que existe seres humanos que necessitam de esperança, ânimo, melhores condições de vida e trabalho. Não soubessem as pessoas quem são esses “Maus” e “Vilões” e tudo poderia estar perdido… Coisa que ainda não interiorizei e recuso-me a aceitar até o soar do gongo, não por possuir uma ingenuidade juvenil e estúpida, mas por acreditar que os “Bons” cidadãos e militantes, estão fartos de promessas vãs que não servem para nada e muitas vezes abalam a esperança que deve ser para todos nós, mesmo para os “Vilões” e os “Maus”. Aquele sim é um sentimento que vale a pena preservar e fomentar.
Francisco Gonçalves