Assisti, expectante, à conferência sobre o modelo de transporte marítimo e aéreo para a RAM no passado dia 31.10 onde os vários oradores refletiram muito sobre o eterno problema dos transportes para a Região mas soluções, essas tardam a aparecer porque esbarram na falta de vontade política para enfrentar os grandes lobby s dos transportes. Pouca esperança tenho que apareçam soluções a contento mas se hoje volto a este tema é para que ele não seja esquecido ou protelado pelos governantes o que significa que mais iniciativas destas deve haver até encontrar uma solução séria e sem hipocrisias que na verdade proteja a frágil economia das regiões ultra periféricas seja da Madeira, do P.Santo, dos Açores e das Canárias já que são estas que mais sofrem com o preço dos transportes aéreos e marítimos.
Penso que toda a gente já percebeu que pelos privados os problemas sociais jamais serão resolvidos já que qualquer empresário apenas pensa em ganhar dinheiro e se for muito ainda melhor. Resta pois ao Governo da República e Regional resolverem este grave problema social que está a estrangular a economia destas ilhas. Sem mais delongas vou à questão que afeta a nossa condição de ilhéus.
Porque não a criação de um consórcio, sem fim lucrativo, cuja a administração fosse composta por elementos da Madeira, do Continente português, dos Açores e das Canárias com a função de gerir o fretamento de um Ferry para transporte de carga e passageiros assim como aviões que servissem os destinos mencionados mais o P. Santo que nem linha direta para o continente, tem? Obviamente que a ideia carece de detalhe e estudo profundo!
Afinal isto não seria inédito visto que o G. R. já, há anos, aventou essa hipótese para transporte dos atletas que se deslocam ao Continente afirmando que sairia muito mais barato à região. Talvez fosse pertinente saber porque foi essa ideia posta de parte.
Os empresários dos transportes virão logo dizer que o Governo estaria a fazer concorrência aos privados, o Governo por sua vez dirá que é contra as regras da U.E, outros dirão que o mercado livre deve funcionar, mas eu pergunto; já alguma destas entidades se preocupou com os estudantes, os doentes ou os madeirenses em geral que pagam por uma ida e volta ao continente 458€ ? já algum deles se preocupou que devido aos portos mais caros da Europa paguemos mais caro pelos bens que consumimos? A TAP e as outras companhias law cost já se dignaram sequer explicar porque fazem viagens para França e Inglaterra a 30€ e para a Madeira cobram 458€ e mais? Certamente que quando as companhias vendem passagens a 30€ não estão a perder dinheiro uma vez que a easy Jet anunciou um lucro de 564 milhões de euros no ano fiscal de 2013. Então qual a explicação para nos cobrarem 458€ por uma passagem? Se eles nos exploram descaradamente temos que ser nós a tomar medidas extremas para defender os nossos interesses ou passaremos a ser escravos do poder económico.
Antes que digam que esta ideia de fretamento é disparatada ou demasiado arrojada atentem neste simples exemplo. Um avião que transporte 219 passageiros, por cada passageiro o Governo paga 60€ de subsídio de mobilidade (ida e volta) o que perfaz a quantia de 13.140€ (além do que o passageiro paga) será que esta quantia chegaria para fretar um avião entre a Madeira e o Continente? Mas mesmo que não chegasse poderiam ainda elevar o preço para 80 ou 90€. O passageiro ficaria satisfeito porque pagaria muito menos e o Governo ficava livre de encargo dos tais 13.140€ (falamos apenas de uma viagem) gastos no subsídio de mobilidade, dinheiro esse que poderia ser aplicado, por ex., na saúde. A ideia não seria banir a TAP, a easyJet ou a Transávia da linha mas obriga-los a reconsiderar e não se aproveitarem da nossa condição de ilhéus para nos explorarem. Se a tudo isto juntarmos a possibilidade de fomentar o turismo entre continentais, e ilhéus penso que todos ficariam a ganhar.
Soluções haverão, não haverá é vontade política para mexer em interesses instalados. * Deputado Municipal CMF
Juvenal Rodrigues *