Se uma coisa manifestamente não funciona, a quem interessa que assim se mantenha? Porquê esta insistência num segredo que só fomenta a injustiça, quando deveria defender o seu oposto.
Esta discussão em torno do que existe para ser violado sistematicamente é inócua e distrai do essencial. E depois a culpa é da comunicação social. Desagua sempre aqui. Mas não, o segredo de justiça não é da comunicação social é da justiça. Se falha é porque uns estão a fazer o seu trabalho e outros não.
Não pode haver segredos para a informação, que visa por a nu, com honestidade e responsabilidade, os factos. Se é sempre assim? Não, é certo. Mas realmente alguém defende que os jornalistas deveriam ignorar um facto inédito da história democrática? A sério? Até onde vai a informação e começa o circo mediático? No cozido? Ou no aeroporto?
Há de facto muitas coisas questionáveis nesse processo. Mas é o jornalista que deve calar informações que tem de um processo que devia ser segredo?
Havia uma solução fácil para isto, mas continua-se a insistir nesta fórmula, que dá jeito a alguns, mas que deixa todos sob suspeita. No fim, perdemos todos. Não, o regime democrático não morre aqui, se se provar que tivémos um primeiro-ministro corrupto. A democracia morre lentamente todos os dias quando questionamos os tempos da justiça e seus 'modus operandis' . Quando há suspeita de manipulação política. A democracia agonia quando a presunção de inocência está em morte cerebral e o segredo obriga apenas quem está acusado.
Isto acabaria de uma forma simples. Sem segredos. Mas dá jeito a alguém manter o que não existe. E os bandidos são os jornalistas.