Fátima Câmara Há que reconhecer que o Director Clínico do hospital, Dr. Miguel Ferreira foi muito bem-sucedido naquilo que queria fazer com o Serviço de Saúde da Madeira.

A sua bandeira é concentrar os cuidados de saúde no hospital para poupar recursos financeiros. O resultado está à vista de todos, com 17.000 madeirenses à espera de serem operados no SESARAM. 14.000 Doentes à espera de uma TAC ou outros exames, muitos a germinar um cancro sem o saberem. A mais baixa taxa de sucesso no tratamento do cancro do país. Um hospital em que ninguém se entende, com profissionais desmotivados, cegamente obediente ao PSD do Dr. Jardim, cujo interesse do cidadão comum é ignorado à medida que os empresários da construção civil esfregam as mãos com contractos públicos no mínimo duvidosos, lançados e anulados ao ritmo de um tango que poucos podem dançar.

Não há prevenção das doenças. Nunca mais se ouviu falar de combate à hipertensão. À depressão. À diabetes. Não há confiança do plano de prevenção do Ébola, tal como a contenção ao Dengue na Madeira foi ineficaz.

Mais, o Sr. Director esmagou qualquer oposição interna e externa. O Sr. Secretário dos Assuntos Sociais e das Finanças obedecem-lhe. O Conselho de Administração também. Qualquer réstia de autocrítica desapareceu. Sindicatos e a Ordem dos Médicos, outrora muito participativos, agora remetem-se ao silêncio cúmplice. Os enfermeiros vivem num clima de medo constante, cuja obrigação do regime das 40 horas só agrava. O gabinete do utente que noutras administrações servia para os utentes reclamarem dos atrasos e incapacidades do hospital, agora de pouco serve.

Isto tudo à medida que a dívida do SESARAM e as listas de espera persistem. Na verdade o sector da saúde foi o último a experimentar o “jardinismo” na sua plena acepção com partidarização das instituições, centralização no governo regional e primazia à obra pública do regime à medida que se tenta calar qualquer voz crítica…

Há que reconhecer que atingiu com distinção o que lhe foi pedido!