1 - O aumento de quase 21% da mortalidade na Região Autónoma da Madeira só tem uma leitura possível: o nosso sistema de Saúde entrou em colapso! Este aumento de mortalidade de um ano para o outro, em períodos homólogos (1º semestre de 2013 e 1º semestre de 2014), é a prova inequívoca do falhanço total da nossa política de Saúde. Com este indicador confirmaram-se todos os meus piores receios, aqueles para os quais tenho vindo a alertar, e concluo que já estamos a pagar, financeiramente e em vidas humanas, todos os erros cometidos nos últimos anos na nossa Saúde. A tutela política da Saúde, a mesma que não consegue articular uma explicação minimamente capaz sobre o aumento da mortalidade, vem agora, hipocritamente, afirmar que o novo hospital “vai ter de acontecer”. Se a Madeira não tem hoje, em pleno funcionamento, um novo hospital em Santa Rita deve aos actuais líderes políticos e aos responsáveis pelo sector nos últimos anos. Foram eles que optaram por gastar milhões de euros em “remendos e acrescentos” em vez de investir, de forma ponderada e criteriosa, num novo hospital. Desde 2011 foram gastos 60 milhões de euros em obras de utilidade muito duvidosa, com os resultados na saúde e vida das pessoas que agora se está a ver, mas se essa contabilidade recuar a 2007, ano da entrada em funções do secretário regional com a tutela da Saúde, estou certo que chegaríamos a valores que dariam para construir um fantástico hospital novo, muito melhor que aquele que foi projectado para Santa Rita e ao nível do melhor que existe no mundo. Mas não, não é essa a nossa realidade e depois de se abandonar o projecto do novo hospital, depois de obras inúteis num hospital velho e nele se gastar dezenas (centenas?) de milhões de euros, depois de sujeitarem durante anos os doentes e todos os profissionais de saúde a obras intermináveis e sem qualquer acréscimo de qualidade à infra-estrutura hospitalar, finalmente se descobriu que a Madeira precisa de um novo hospital. “Brilhante”, sem dúvida... “Brilhante” é também a afirmação, daquele que sabe tudo (e sobre tudo), que um hospital novo para a nossa região nunca custaria menos de 500 milhões de euros. Outros “brilhantes” também deram os seus “palpites” sobre aquilo que não sabem e estiveram a “jogar milhões para o ar”. Uma espécie de “Preço Certo” em relação ao valor de um novo hospital, onde a “criatividade” deu para tudo... Vamos a factos e valores: o valor médio dos hospitais construídos recentemente em Portugal anda à volta dos 110 milhões de euros e o hospital de Loures, aberto em 2012 e construído de raiz para servir uma população de 278.000 pessoas (mais que a Madeira e Porto Santo), custou 123 milhões de euros. Este valor inclui toda a construção e todos os novos equipamentos médicos. O novo Hospital em Santa Rita tinha um custo estimado de 125 milhões de euros, valor que apareceu publicado na época nos jornais de cá, e que efectivamente estaria em linha com o que tem sido gasto em estruturas semelhantes no continente e Açores. Agora assiste-se ao “milagre da multiplicação”... Não vou fazer quaisquer juízos de valor, deixo isso ao critério de cada um. 2 - A minha colaboração com o Diário de Notícias iniciou-se em Novembro de 2011, com uma entrevista sobre as taxas moderadoras. Pouco tempo depois passei a escrever os meus artigos de opinião mensais, dedicados quase em exclusivo à Saúde. Gostaria de publicamente agradecer ao Diário de Notícias a oportunidade que me foi dada para, durante estes 3 anos, dar a minha opinião, propor soluções e alertar para determinadas situações que considerei lesivas para a saúde da nossa população. Através dos meus artigos, tentei demonstrar que existe massa crítica na nossa Saúde e quem pense diferente daqueles que mandam. As coisas não são como alguns dizem e ainda há quem fundamente as suas opiniões com factos, critique o que é criticável e não tenha medo de dar a sua opinião. O objectivo dos meus artigos de opinião sempre foi o de contribuir para a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde que são prestados à população da Madeira e Porto Santo. “Não basta ter sido bom quando deixar o mundo. É preciso deixar um mundo melhor.” Bertolt Brecht
Duarte Nuno Dória Gestor