A oito de Dezembro o Nacional da Madeira comemora mais um aniversário. 104 anos de ininterrupta actividade. Quis o calendário desportivo que esse dia fosse presenteado com um grande jogo. Como tal, as comemorações tiveram que ser antecipadas, se bem que sempre me ensinaram que nada se deve comemorar antes da data. Contudo, e tendo em conta que há quem passe o ano a comemorar aniversários e inaugurações diversas, pode ser que em termos de presságios e de maus augúrios estejamos empatados.

A luta por protagonismo ou por um lugar no poleiro tem vindo a minar o trabalho competente de bons profissionais que ainda vamos tendo na política, na economia e no mundo desportivo. Lidar com o presente a ignorar quem somos, quem nos fez nascer, quem nos ajudou a crescer e quem connosco partilhou vitórias e derrotas resultará num futuro incerto. Para muitos, não importa apenas vencer. Importa, sim, que essa vitória aconteça sempre, nem que para isso se passe a ‘coisificar’ as pessoas e a ‘divinificar’ as coisas. É neste contexto que se constroem os percursos, a história e os clubes do amanhã, num universo desportivo onde tudo é pouco e nada basta. A sociedade portuguesa já não consegue ignorar os problemas que vive diariamente. A corrupção, a negligência, a violência, a pobreza, o preconceito e a desigualdade são apenas algumas das dificuldades que nenhum derby faz esquecer ou passar para segundo plano. Espero que, ao contrário do que as notícias nos têm dado a conhecer, este seja um momento verdadeiramente pautado pela justiça, verdade e divertimento.

Andreia Nascimento