Ao percorrer neste verão algumas cidades, vilas e freguesias da Região - encontrei nos arraiais a presença atuante das bandas filarmónicas - sempre jovens e rejuvenescidas a proporcionar bons momentos de qualidade musical e apreciáveis atuações, um saudável contributo na animação das nossas genuínas e tradicionais festas.

Com a proliferação, nos últimos anos, de novos agrupamentos, de diferentes géneros musicais, as bandas de música, não perderam o seu espaço perante uma certa modernidade que procura eclipsar, pelo contrário, continuam firmes a desenvolver o seu trabalho, a merecer o carinho, o apoio, a empatia da larga e vasta camada da população.

A difusão e descentralização do ensino da música em várias localidades, através das extensões do conservatório de música, foi uma porta aberta, uma política cultural de visão ampla aos jovens valores que compõem atualmente as bandas.

O excelente trabalho da RTP-Madeira com o programa “ Música no coreto”, deu a conhecer mais profundamente, os verdadeiros anseios e as sérias dificuldades que se colocam aos seus responsáveis, desde o recrutamento, à formação dos executantes, a sua disponibilidade e vocação para integrá-la, a incompatibilidade com que se debatem em continuar devido às suas carreiras universitárias e à emigração.

Ao longo de gerações, em tempos certamente mais difíceis, sem apoios, com menos formação, com instrumentos de menor qualidade, com instalações mais precárias, sobreviveram, outras renasceram, transformaram-se, mas não desistiram.

Olhar novo às coletividades, não só musicais mas também desportivas e culturais para tarefas que terão pela frente, no desempenho das suas atividades – prepará-las para um novo viver – saber contornar e enfrentar as dificuldades que se colocam a atuais e futuros cenários de exiguidade dos nossos recursos humanos, financeiros e materiais.

A aposta seria certamente abrir e ligar as suas sedes, aquelas que possuem, à comunidade enquanto estruturas de proximidade torná-las efetivamente atrativas, para uma dimensão social mais abrangente de participação e colaboração.

“Entre o sonho e a realização, existe uma espécie de indolência, que invade o nosso quotidiano que urge combater e ultrapassar”. Aqui está em causa uma perspetiva de futuro, uma dura e séria prova à ousadia e competência dos valentes dirigentes, que são seguramente, “ fortes alicerces, sinal de vida, de esperança e de construção em prol das nossas coletividades”.

Belarmino Rodrigues