André Pereira Sou um cidadão atento à política desde há muitos anos, apesar da descrença que me assola de vez em quando. É verdade que na política, como nas outras profissões, há gente boa e gente má, há mais e menos honestos.

Vem isto a propósito do tema transportes aéreos e marítimos entre a Madeira e o Continente que acompanho há muitos anos.

O partido (PS) que, ultimamente, mais tem falado deste assunto, com os seus dirigentes num frenesim total e com cartazes por toda a ilha a reclamar por melhores ligações aéreas e marítimas, é o partido responsável por termos preços de viagens escandalosos e, também, parcialmente pelo Armas ter saído da linha Funchal-Portimão.

E passo a recordar factos: foi em 2008 que o Governo PS com José Sócrates como Primeiro-Ministro e Bernardo Trindade como Secretário de Estado do Turismo que se procedeu à liberalização total das ligações entre a Madeira e o Continente sem acautelar os nossos direitos. Com a complacência do Governo Regional do PSD baixou-se o subsídio de mobilidade de 118 para 60 euros (viagem de ida e volta) e acabou-se com a tarifa de estudante.

Na altura, recordo, que alguns partidos e, em particular, o CDS chamou atenção para os riscos desta liberalização sem regras e levaram o assunto à Assembleia da República, defendendo um tecto máximo para as viagens e preço reduzido para os estudantes e e doentes deslocados. O PS votou contra! Depois, em 2011, quando o então deputado do CDS no Parlamento Nacional, José Manuel Rodrigues, propôs e foi aprovada a extensão do subsídio de mobilidade do transporte aéreo e do transporte marítimo de passageiros para ajudar a viabilizar a operação do Armas, o PS voltou a votar contra. Só que desta feita a proposta passou, uma vez que os socialistas tinham entretanto perdido a maioria absoluta e a lei passou com o voto de todos os partidos que estavam na oposição. A verdade é que o Governo PS tinha 60 dias para regulamentar a lei, não o fez e lá se foi o Armas. Só agora que já não há barco é que este Governo da República aceitou estender o subsídio das ligações aéreas às ligações marítimas. Primeira conclusão: o PS, que agora reclama por melhores e mais baratas viagens aéreas e marítimas, é o grande responsável pelos preços vergonhosos que são praticados.

Segunda conclusão: agora vamos ter subsídio ao transporte marítimo, mas não temos barco. Compete aos Governos Regional, Central e à União Europeia garantir que a Madeira e os Açores deixam de ser as únicas ilhas europeias sem ligações marítimas ao continente europeu.