É hora de abrir regos.
1. Os delfins decidiram peguilhar com o estudo de opinião que o DIÁRIO encomendou à Eurosondagem e publicou, com ficha técnica e as devidas advertências. Mormente duas: que a pergunta ‘Em que candidato votaria para suceder a Alberto João Jardim na liderança do PSD-Madeira?’ foi feita apenas aos eleitores que admitiram votar PSD nas próximas eleições regionais e que o estudo de opinião não foi feito a militantes social-democratas com capacidade electiva. Aliás, os contactos telefónicos desse universo são desconhecidos, tanto de alguns candidatos, como deste jornal ou da empresa a quem pagamos para fazer sondagens. Mesmo assim, talvez sem tempo para a leitura objectiva, alguns pretendentes ao trono barafustaram recorrendo a argumentos que valem tanto como a sondagem que criticam, sobretudo aqueles que consideram que os ‘likes’ no Facebook são bem mais elucidativos das preferências do eleitorado e que as conversas nas tascas são bem mais encorajadoras. Se os dados do estudo que retrata num preciso momento as intenções de um eleitorado são desprezíveis não se percebe então tamanho nervosismo, alguma desmobilização, comentários tresloucados, insónias comprovadas e até reuniões a ponderar desistências em favor de candidaturas mais bem colocadas ou a cedência de militantes a integrar listas por entregar. O desagrado de alguns era expectável, mas as insinuações reveladoras de desespero e os tiques a roçar o pior do jardinismo surpreenderam. Porque desmentem a propagandeada renovação de estilo e de políticas.
2. A detenção e o interrogatório a José Sócrates contribuíram para a zoada da semana. A bomba explodiu e as réplicas poderão chegar onde alguns menos esperam. Por causa do aparato e das fugas de informação, das hipocrisias e das conspirações, da corrupção inquietante e, sobretudo, das causas. E até se a Madeira está ou não na rota da investigação. O tempo da Justiça, que é lento, o dirá. Por agora, mesmo que custe a certas mentes, importa apenas lembrar que o juiz Carlos Alexandre passou a ter em mãos o ressuscitado ‘Cuba Livre’.
3. Por atremar está a forma pacífica e desimportada como os madeirenses reagem aos escândalos da política regional que afectam a qualidade de vida pessoal e colectiva. Na semana passada ficou claro que a continuidade territorial é miragem e que a incapacidade de afirmação a partir do destino é gritante. Soube-se que a Madeira perdeu as cinco ligações que o avião de carga fazia. O cargueiro avariou e provocou rupturas de stocks. Perante a falta de soluções esperava-se empenho das entidades públicas em resolver mais um factor de isolamento da ilha. Mas o que fez o Governo? Na ânsia de desmentir o DIÁRIO, meteu indevidamente a TAP ao barulho no dossier carga aérea e porque anda nas nuvens, distraído com o misterioso fogo de fim-de-ano, mostrou andar a reboque da actualidade publicada. Depois da perda das ligações marítimas entre a Região e o Continente e face à ameaça que decorre da privatização da TAP, sem que se tenham até agora acautelado garantias de serviços para a Região ou alternativas de transporte aéreo, a ultraperiferia distancia-se perigosamente do continente europeu. As desigualdades acentuam-se e o Governo Regional nada diz ou faz. O último orçamento do mandato de Jardim é o exemplo acabado da incapacidade institucionalizada que em vez de investimentos opta por caprichos, como aquele que destina a propaganda fútil de um homem só e que nos custa 2,7 milhões de euros.
4. Os renhetas do União querem um estádio pago pelo dinheiro dos contribuinte. Só nos faltava mais este capricho. Peçam ao Ronaldo ou ao Jaime Ramos para viabilizar o sonho. Já demos para esse peditório do dinheiro fácil e sem retorno. Esta gente rica que pede sem vergonha vive em que planeta? Sabe que na ilha da subdiodependência há quase 22 mil oficialmente no desemprego e milhares em fuga para o estrangeiro de modo a poderem sobreviver?
5. Os convictos da política ao seu serviço foram apilhados. Desta vez, queriam o regresso da subvenção vitalícia, mordomia que “o bom senso” travou a tempo. Fazer leis em benefício próprio está a dar cabo da democracia e da credibilidade das instituições. E a motivar suspeitas, detenções e até penas. Temos pena.