O título que antecede foi dado pelo DN a uma peça jornalística na sua edição de 20 de Novembro a propósito das subvenções que a Assembleia Legislativa da RAM atribuiu aos grupos parlamentares que como amplamente reconhecido, também em sede de julgamento, acabam por financiar a atividade partidária, até porque os grupos parlamentares só existem porque existem partidos. Uma coisa é entender-se que as verbas atribuídas pela Assembleia são excessivas, outra é lançar sobre os deputados dúvidas intoleráveis que não contribuem para o reforço da relação entre eleitor e eleito e muito menos para o aprofundamento do instituto democrático conquistado com Abril de 1974. Opinar e fazer cumprir a lei não se conjugam com tentativas veladas de difamação para mais nos tempos difíceis que vivemos que são propícios a julgamentos populares e desses não cabe recurso para qualquer instância. A verdade é que as direções dos Grupos Parlamentares nunca foram ouvidas nem achadas sobre para onde deveriam as subvenções ser transferidas, apenas foram responsabilizadas. A Assembleia Legislativa da Madeira sempre transferiu diretamente para as contas bancárias dos partidos as referidas verbas sem que tenha existido qualquer indicação expressa dos grupos parlamentares nesse sentido. Esses dinheiros serviram para pagar também a atividade dos partidos e por consequência dos deputados, a saber: alugueres de salas, rendas de imóveis, encargos bancários, deslocações e estadias, seguros, refeições, congressos entre tantas outras coisas que são necessárias ao funcionamento das instituições, até mesmo dos tribunais. Se existem inconstitucionalidades nos diplomas que atribuem essas subvenções que sejam, em definitivo, suscitadas em sede certa sem o enxovalho público dos políticos, classe onde milita, como em qualquer outra, gente séria e menos séria. Durante o processo viu-se de tudo chegando até a serem usados termos, demasiado fortes, como foi o caso de o deputados terem desviado verbas para fins diferentes dos legalmente previstos o que aos olhos do comum leitor parece mesmo que o pessoal se abotoou com o dinheirinho público, o que é uma mentira tamanho do mundo. Os títulos que vão aparecendo na comunicação social também vão ajudando a consolidar a ideia de que somos todos uns bandidos e que mesmo assim até o Tribunal de Contas nos dá prendas o que convenhamos se fosse verdade em nada abonava a mencionada instituição, também aí se ajuda a confundir as pessoas. Qual prenda qual carapuça, dá-nos é despesa pois é preciso não esquecer que os advogados não trabalham de borla. Uma absolvição não é uma prenda, significa tão só que o Tribunal não encontrou provas bastantes que sustentassem uma condenação e isso não pode ser deturpado.
Jaime Leandro Secretário-geral do PS-M