Dezembro será com certeza um mês muito animado na nossa região, não só pelo aproximar das festas mas pelos vários acontecimentos anunciados. Um dos muitos eventos serão as inaugurações de várias estátuas. Numa terra pacata onde nada acontece e sempre que surge algo de novo são sempre os mesmos, urge apelar mais dinâmica e por uma verdadeira mudança. Assim, de forma mais económica, sugeria novos lugares para a colocação das várias estátuas de bronze que predominam em excesso pela cidade do Funchal e escolher localidades mais recônditas da região. Esta seria, com certeza, uma forma diferente de descentralizar a cultura sem muitos custos em prol dos tempos difíceis que atravessamos. A escultura da autoria de Francisco Franco (1885-1955) “O Semeador” seria realojada pela quinta vez, não na cidade do Funchal mas na freguesia da Ponta do Pargo, de onde era natural o referido escultor e aproveitando também o facto de atualmente os campos agrícolas precisarem urgentemente de um excelente semeador, porque encontram-se ao abandono resultante do tão prometido e não concretizado campo de golfe. Como exemplo a estátua do Cristiano Ronaldo financiada pelo falido Jornal da Madeira que utiliza o dinheiro de todos nós ficaria muito bem no Largo da Achada na Camacha tendo em conta que foi nesta localidade que se jogou futebol pela primeira vez em Portugal, mais precisamente em 1875 e não como previsto na Praça do Mar. O Monumento Comemorativo dos 500 Anos da Diocese do Funchal, símbolo do árduo trabalho realizado durante os 500 anos pela Diocese nesta região seria colocado na freguesia dos Prazeres premiando o esforço de alguns sacerdotes em ampliar a riqueza da igreja à custa de todos nós. Nesta bendita terra não faltariam também os espaços verdes para valorizar este monumento como no jardim do Almirante Reis, património verde rubro. A futura estátua equestre a inaugurar no dia do São Martinho em 2015 na referida freguesia com o seu nome e junto à rotunda em frente ao cemitério ficaria no seu interior relembrando que os mortos merecem respeito e que nós vivos estamos todos de passagem. Não vale a pena acumular muita riqueza quando esta, em muitos casos, resulta do aproveitamento do mal alheio. Perpetuava-se desta forma com um memorial de gratidão às pessoas que ajudaram as vitimas do 20 de fevereiro. Por outro lado na recente inaugurada Praça do Povo (Praça de 20 de Fevereiro) no Funchal devia ser aberto um concurso pelos nossos governantes para execução de uma proposta de construção dum tabuleiro gigante de xadrez. As peças seriam estátuas em tamanho natural, réplicas dos delfins, dos secretários do presidente do governo regional, não esquecendo a importante peça representativa do clero além de outras consideradas extremamente fundamentais do nosso sistema. O povo superior poderia contar com mais uma intervenção artística-lúdica, mais interativa e com uma componente educativa mudando as peças conforme as jogadas políticas. Os custos das estátuas em bronze dariam para ajudar muitas famílias carenciadas, pois sabemos que em termos culturais esta e outras obras abusivas e sistematicamente realizadas com o mesmo material não trazem nada de novo em termos culturais para a região. É ridículo que em pleno século XXI continuemos a investir em tantas estátuas em bronze com caraterísticas do século passado. Infelizmente, até nas artes, é tão visível a falta de igualdade de oportunidades perante os criadores e a prevalência do mesmo modus operandi que nos remete para um passado muito distante em termos políticos e estéticos.
Patrícia Sumares