Maria Silva Sou visita assídua a um familiar que se encontra internado num lar para velhinhos, ou talvez mais correctamente para idosos. Eu sei muito bem que a palavra idoso está correcta como também está correcto velho, mas eu não gosto de tratar seja quem for por velho, escolhi então velhinho, soa-me mais carinhoso. Também não é para decifrar palavras que me levou a escrever este texto. Como já mencionei, vou repeti-lo, sou vista assídua a um certo lar de idosos, onde se encontram muitos nossos familiares, amigos, conhecidos ou desconhecidos, não importa quem. A maneira como muitos deles são tratados dá mesmo para chorar as pedras da calçada. As pessoas não deixam de o ser, só porque foram internadas. Há funcionárias, peço desculpa às que são educadas, gentis e carinhosas, chegam ao díspar de tratar pessoas que podiam ser seus avós por “tu”, tu para cá tu para lá e por aí adiante. É evidente a falta de educação destas funcionárias, nunca há um faz favor ou um obrigada dirigida a um idoso e são quase todos tratados como se já não tenham direito a ter vontade própria. É como dizer, “agora que aqui entraste, esquece o que há lá fora, ou melhor dito, esquece o mundo onde nasceste, foste criado, e deste à humanidade o teu contributo para este crescer e desenvolver-se. Não importa como lá foste tratado, aqui és apenas mais um, irás acostumar-te como todos os outros”. Realmente não deve haver distinção apenas mais sensibilidade para com os nossos idosos, independentemente das hierarquias dos lares. Pensemos, hoje são eles, amanhã seremos nós, e o que iremos fazer quando chegar a nossa vez? Iremos, como os nossos velhinhos de hoje, baixar a cabeça e chorar nos nossos corações a desdita de chegar a velho. À frente dos lares haveria de estar quem tivesse curso superior de Geriatria e pessoas formadas em educação e boas maneiras, com curso de integração, respeitando o amor e sensibilidade para não ferir os que são mais débeis e vulneráveis como o são os nossos velhinhos. Por hoje, deixo-vos esta mensagem de revolta. Talvez outro dia volte, porque eu tenho muito para contar-vos. Bem-haja os nossos velhinhos que muito trabalharam e contribuíram para esta sociedade que os despreza. Um abraço queridos avós, de ontem de hoje e de sempre