Sempre defendi a necessidade de, em política e em tudo o resto, sermos coerentes com o que defendemos no passado, por forma a evoluirmos no processo de qualificação das instituições público-privadas e da própria classe política. Esta minha posição faz com que não me permita esquecer que, no passado, nunca fui muito apologista das coligações pré-eleitorais, por uma questão ideológica, de princípios e valores com que cada um de nós se identifica ao filiar-se num partido. Não me esqueço daquilo que defendi no passado, é certo, mas perante o presente, perante os desafios que se nos colocam – categoricamente diferentes dos grande combates ideológicos de outros tempos -, somos obrigandos a refletir sobre essas posições, e adaptarmo-nos ao que o presente exige. O que está em causa é muito mais do que ideologia, é o futuro de uma Região, e é a esperança numa alternativa política que permita a libertação de determinados bloqueios tão caraterísticos da governação totalitária dos últimos quarenta anos. Compreendo que alguém que estivesse contra uma coligação, por questões ideológicas, abdicasse dos interesses do partido para vencer, para mudar. Assim se fez no Funchal. Mas não compreendo como é que, depois de dado esse passo, se pretenda regredir e enclausurar o partido em algo que deixou de ser condição sine qua non para um partido que se quer poder, apenas e tão só por haver quem olhe cegamente para o pequeno oásis prometido de um lugarzinho na lista de candidatos. Se as sondagens demonstram que é possível ganhar as próximas eleições regionais, em coligação, porque é que existe quem não abdique da obsessão de querer ser candidato a Presidente do Governo Regional, e coloca os seus interesses e de meia dúzia de correligionários acima dos interesses dos madeirenses? Sim, esta é a verdadeira questão. Os madeirenses não aceitarão que um pequeno lobby de narcisistas, barricados na sua cobiça, bloqueiem a possibilidade de devolver a esperança à Madeira e aos madeirenses. Tenham a humildade de olhar mais além do que o próprio umbigo e caminhem no sentido de concretizar, e não de inviabilizar, aquilo que todos os dias os madeirenses nos pedem.

Orlando Fernandes