Hoje irei fazer uma incursão na política regional e, claro, no assunto que apaixonará, sobretudo os militantes do PSD Madeira, até vésperas do Natal. O dinamismo mediático dos candidatos á substituição do velho líder, é tal, que adormeceu a oposição. Na sombra da onda de mudança autárquica, considera a oposição que as eleições regionais serão favas contadas. Desvaloriza as eleições internas do PSD, considerando-as um processo de desgaste dos candidatos, um erro político que lhes custará, bem caro, nas eleições regionais. Na hora do voto as pessoas querem alternativas. Onde estão elas credíveis, com carisma quer políticas quer personalizadas capazes de derrotar o candidato do PSD? Esquece a oposição que as eleições no PSD são umas verdadeiras primárias como aconteceu no PS Nacional? Aqui só votam os militantes, mas as consequências serão idênticas. No país discutiu-se o próximo 1º ministro. Na região, está na mente dos madeirenses, escolhe-se o próximo presidente do Governo. Se perguntarmos a qualquer português quem será o próximo 1º ministro de Portugal todos responderão, mesmo contra a vontade, António Costa. O PSD Nacional andou a rezar para que o Seguro ganhasse. Azar o seu. Fiou-se na virgem , não correu e perdeu. A oposição, aqui, faz o mesmo, reza por um candidato mais fraco. O CDS/PP e o PS andam com birrinhas para ver quem, na viagem, vai no banco da frente. Nem nos seus líderes partidários, os próprios, acreditam. Procuram um D. Sebastião qualquer. Ou será por acaso que nunca houve alternância de poder na Madeira? Quando tal foi possível o Dr. António Trindade “roeu” a corda e esfumou-se a oportunidade de ouro. Como num jogo de futebol o PSD ganhou eleições mas outras foi a oposição quem as perdeu. O sucesso do PSD na Madeira resulta claramente de uma estratégia assente numa dinâmica de vitória, suportada em 4 vectores fundamentais: Um líder carismático e regionalista capaz de enfrentar as cúpulas do seu próprio partido nacional, agitando a bandeira do centralismo; um discurso de direita mas uma prática governativa de esquerda; uma aliança com sectores da Igreja mais conservadora dominante na Madeira; ausência de oposição credível incapaz de reunir-se á volta de um líder. Paradoxalmente, a novidade nas próximas eleições Regionais será o novo líder do PSD. Os restantes candidatos serão os do costume. Para os eleitores isso fará muita diferença. Os Juntos pelo Povo já acautelaram os seus. Estão a contar com São Vicente? Nas Regionais terão percentagem bem inferior. Será em Porto Moniz, Santana ou Porto Santo onde houve um notório equilíbrio? Resta o Funchal... se o ex-edil do Funchal for o candidato, esqueçam. O povo madeirense não é superior mas também não é estúpido que vá nas inconsistências e inseguranças de quem pretende ocupar o poder. Dos dois males o menor dirá o povo. E de uma vez por todas não culpem os eleitores por eventual desaire eleitoral. Assumam responsabilidades. Quem não pode sai de cima.

Francisco Costa Técnico de arbitragem