Se as eleições regionais fossem hoje, o PSD ganharia na Madeira. Sim, o mesmo PSD que está dividido em seis facções e mais as que não se conhecem.
O esfarrapado PSD que acusa nas articulações as dores de quem governou desde sempre e cujo líder carismático sai depois de quatro décadas de governação, marcadas por um sempre atabalhoado e adiado processo de saída, que levou ao assassinato político público de quase todos os delfins que um dia lançou e que agora enfrentam o criador, com maior ou menor grau de ressabiamento.
Isto diz mais da oposição do que do PSD. Se nem de baliza aberta, com o adversário à bulha entre si consegue marcar golo, é incompetente e nem sequer merecia jogar neste campeonato. O público eleitor sabe-o bem.
Que oposição é esta que debate cartas de eventual coligação na praça pública, não porque esteja interessada numa alternativa de poder, com um programa para a Madeira, mas porque está interessada em perceber como leva com menos estilhaços desta guerra dos pequeninos. Estão em gestão de crise antecipada de um problema que vão criar. Alguém acredita que alguma vez houve boa fé das partes neste diálogo?
Têm sede de poder, mas a luz deste já os encegueirou. Há anos que vivem na babuje. Uma crítica ao jackpot aqui, uma proposta além, mas sempre à sombra do conforto do dinheirinho para as festas de quem não quis ficar atrás. Tem dado jeito e agora querem ser eles a ditar as regras, mesmo que não saibam que regras querem.
A maior parte da oposição regional é quase tão velha como quem quer derrotar. É mais, porque no PSD pelo menos vai haver um líder novo, mesmo que seja com ideias velhas. Os dinossauros da oposição não são melhores que os do poder. Os acomodados.
Não vale chorar depois, deitar às culpas à realidade insular particular, ao sistema. Isso é passado, é a Madeira velha, se quiserem. O jogo vai a meio e estão a perder por 6-0. Parabéns, que de facto podia ser pior. Agora vá, distribuam as culpas do vosso infortúnio, como tanto estimam. O público é que já nem está a ver.
Sandra Cardoso