Cristina Fernandes A propósito desta querela à volta de quem deve ser candidato a Presidente do Governo Regional numa possível coligação das oposições vale apena atentar nalguns factos e compará-los. Victor Freitas é Líder do PS, o terceiro partido mais votado nas últimas eleições regionais, onde elegeu 6 deputados. José Manuel Rodrigues é líder do CDS, segundo partido mais votado a seguir ao PSD e elegeu 9 deputados. E quanto às carreiras profissionais e políticas? Victor Freitas é Técnico de Laboratório na Universidade, com funções suspensas. José Manuel Rodrigues fez uma prestigiada carreira no jornalismo, em particular, na televisão, e foi o primeiro Presidente do Sindicato dos Jornalistas na Região. Victor Freitas foi Líder da Juventude Socialista. Depois foi eleito deputado no Parlamento Regional e hoje dirige o PS. José Manuel Rodrigues foi Presidente da Juventude Centrista, mais tarde optou pelo jornalismo e quando regressou à política foi eleito para a Assembleia Legislativa e para a Presidência do CDS-Madeira. Exerceu cargos nacionais como Presidente do Conselho Nacional e Presidente do Congresso do partido e foi por duas vezes eleito deputado à Assembleia da República, onde foi Vice-Presidente do Grupo Parlamentar, Coordenador na Comissão de Assuntos Europeus e membro da Comissão de Economia. Foi, reconhecidamente, por todos um deputado que trabalhou e prestigiou a Madeira. Por divergências com as políticas do actual governo da Assembleia da República regressou ao Parlamento Regional. E é este político com créditos firmados que abdica da sua legitimidade de ser candidato a Presidente do Governo nas próximas eleições, em nome de um projecto abrangente, envolvendo uma coligação pré-eleitoral, das oposições e com uma personalidade mobilizadora à sua frente. Por seu lado, o líder do PS, sem passado ou presente que se veja, teima em ser candidato a Presidente do Governo, inviabilizando a união de partidos da oposição. Eu se fosse o CDS e o seu Presidente mandava os Socialistas passear e assumia-me como Alternativa ao PSD. Têm toda a legitimidade por serem o principal partido da oposição e pelo trabalho que têm efectuado nos parlamentos e fora deles. O povo analisará e dirá de sua justiça no dia das eleições.