Eu cresci a ler livros de ficção científica. Durante os anos 80, as obras de Isaac Asimov, Robert Silverberg, Arthur C. Clarke e Herbert George Wells alimentaram o meu imaginário e uma visão de um futuro cheio de inovações tecnológicas que tornariam a nossa vida muito mais simples, agradável e eficiente. Com o passar dos anos, verifiquei que as inovações tecnológicas que foram surgindo não tornaram a nossa vida mais simples e agradável, apenas mais eficiente. Com os nossos “smartphones”, computadores portáteis e Tablets, a fronteira entre o trabalho e a vida doméstica desapareceu progressivamente. Agora estamos sempre contactáveis, estamos sempre online, estamos sempre disponíveis para despachar mais um e-mail urgente ou um telefonema que não pode esperar até o dia seguinte. Na apologia de Sócrates, o filósofo grego dizia que “a vida não examinada não vale a pena ser vivida”. Nós já não temos tempo para fazer esse tipo de exames de vida. Passamos grande parte do tempo a responder a e-mails, a cumprir objetivos, a riscar tarefas da nossa lista de trabalho pendente, sobrecarregados com diversas responsabilidades a maior parte do tempo. O nosso divertimento deixou de ser introspetivo, deixou de ser criativo, deixou de ser “entretenimento” que enriquece a nossa alma e fortalece as nossas relações. Parece que aos poucos, deixamos de ser humanos e começamos a assumir o comportamento dos autómatos que apareciam nas histórias de ficção científica. Ainda vamos a tempo de inverter essa tendência, mas é um objetivo que requer alguma introspeção! Um objetivo para o qual é fundamental recuperar a humanidade que há em cada um de nós, vivendo no maravilhoso equilíbrio entre a saudade e a esperança!
Roberto Macedo Alves