Nunca um euro terá ajudado a vender tanto papel, rendido tanto espaço de televisão e ocupado memória dos computadores, com comentários às toneladas, como o ‘euro do Costa’. A esmagadora maioria a bater forte e feio na taxa turística que o presidente da câmara de Lisboa pretende aplicar às dormidas e passageiros dos voos internacionais.

Os hoteleiros, inicialmente de acordo, passaram a garantir que esse euro iria afastar milhares de turistas da capital portuguesa – por coincidência considerada a cidade mais interessante da Europa para os norte-americanos e, claramente, um dos destinos da moda – e estaria garantido o caos no sector. Toda a gente acompanhou nos blogues, nos facebooks e outras ‘tascas virtuais’.

Antes de mais considerandos, um ponto prévio: ninguém me conseguirá convencer de que um euro terá a mínima influência na escolha de um destino turístico e afastará um único turista de Lisboa. Pura e simplesmente não tem expressão no preço final do destino e não é factor de decisão.

Nas viagens que o orçamento familiar ainda me permite fazer, já passei por várias cidades em que se pagam taxas turísticas e países em que é cobrada uma taxa de saída, como Cuba. Taxas várias vezes superiores ao que se pretende para Lisboa. Roma, por exemplo, cobra entre 5 a 8 euros por noite, dependendo da categoria do hotel. Em média, cada turista paga 30 euros por uma semana. Não há qualquer referência de que a capital italiana e todas as outras que aplicam taxas deste tipo tenham sofrido qualquer quebra nas entradas, motivada por este imposto municipal.

O que ninguém diz é que os tais hoteleiros que mudaram de opinião beneficiam de isenções de IMI, atribuídas pelos governos e retiradas às receitas das autarquias. Por cá, por mais politicamente incorrecto que seja, também deveriam ser cobradas taxas semelhantes, como já foi defendido, até por gente do partido da maioria. Taxas turísticas, ecotaxas, ou com outra designação e preço quase simbólico (um euro por noite seria justo), teriam toda a lógica.

Melhor, seria atribuir parte das taxas aeroportuárias cobradas aos municípios, distribuindo a verba proporcionalmente. Uma medida que seria justificada com um argumento simples: as pessoas vêm visitar a Região e não o aeroporto que só cobra taxas porque há turismo e não o contrário.