Deus não abençoou Jaime Ramos com a presença e o charme necessários para que fosse uma figura política acarinhada pelo Povo. Por isso, sobrando-lhe em esperteza o que lhe falta em outros departamentos, tornou-se exímio manobrador de marionetas. Primeiro foi Alberto João Jardim que, durante décadas, lhe abriu caminho para, misturando política e negócios, edificar um império empresarial. Mas essa já lhe deu o que tinha a dar. Agora, para garantir a manutenção dos negócios à custa da política, precisa de uma nova marioneta.

Normalmente, para se dissimularem, os manobradores de marionetas vestem-se de negro mas Jaime Ramos, na disputa pela liderança do PSD-M, em vez disso, fez-se… candidato. O efeito é o mesmo, contracenando com a sua marioneta ninguém desconfiaria que é ele próprio quem a controla.

O plano seria perfeito não fosse o facto de serem muito grossos os fios que lhe vêm às mãos, veem-se ao longe.

Miguel Albuquerque apresentou recentemente as suas listas candidatas à comissão política e ao secretariado do PSD-M. Que influencias se destacam da sua constituição? Como seria de esperar, um dos grupos mais evidentes é o séquito que trouxe da Câmara Municipal do Funchal. E qual é o outro? Estão lá os deputados Tranquada Gomes e Nivalda Gonçalves, os braços direito e esquerdo, respetivamente, do líder parlamentar do PSD-M, Jaime Ramos. Está lá João Paulo Marques da Associação de Jovens Empresários da Madeira, uma organização que foi sempre controlada pelo filho de Jaime Ramos. Também está lá mais de metade da equipa de Jaime Filipe Ramos no Projeto Autonomia XXI.14: Vânia Jesus, Bruno Macedo, Carlos Rodrigues, Nivalda Gonçalves, Leonel Silva e Paulo Freitas.

Por mais que Jaime Ramos esconda as mãos, os fios que controlam a sua marioneta são grossos de mais para passarem despercebidos.

Hélder Spínola