1 – Começo este artigo por referir-me ao Totó do Mês. O seu nome é José Cesário, e é o ilustre Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas deste abençoado Governo. A propósito do cidadão português José Marinho, que continua desaparecido nos Picos da Europa, o Dr. Cesário proferiu o seguinte comentário:

“O mais provável é que tenha caído naquela zona montanhosa que, tal como as levadas da ilha da Madeira, é muito perigosa, ainda por cima com neve”.

Até ao momento em que escrevo estas linhas não tive conhecimento de que o Senhor Secretário se tenha retratado deste infame disparate, nem que alguém com responsabilidade política na Região o tenha instado a pedir desculpa aos madeirenses. Tivesse o cavalheiro feito alguma referência menos abonatória ao Algarve (único destino turístico nacional reconhecido pela Comunicação Social continental) e tinham-lhe caído em cima. Aparentemente este insulto passou despercebido ou foi desvalorizado. Espero que este nosso simpático amigo seja convidado a visitar-nos – apesar de termos o aeroporto mais perigoso do Mundo – para poder comprovar a genuína hospitalidade madeirense. Caso tal suceda deverá munir-se dum tradutor, uma vez que o dialecto indígena é traiçoeiro e quase ininteligível.

Pode alguém recomendar-lhe uma utilização alternativa do “pau da poncha” e o senhor entender mal...

2 – Passando então à Política para Totós, quem esta semana tenha tropeçado nos artigos de opinião do Jornal da Madeira – esse marco referencial da imprensa livre e democrática – certamente ficou deveras surpreendido pelas profundas análises efectuadas por cronistas de peso – Luís Filipe Malheiro e Francisco Gomes – à estratégia dos dois principais partidos da oposição regional, e respectivos líderes.

Francisco Gomes atirou-se competentemente a Victor Freitas e ao PS. De forma magistral, conseguiu piscar o olho aos militantes de base, instando-os a rejuvenescer a massa crítica e a promover a renovação do partido, ao mesmo tempo que “enterrava até ao pescoço” o actual líder – desprovido de carisma, sem sombra de ideias políticas, agarrado ao poder, centralizador, vingativo...

Não faltaram os bons conselhos aos socialistas madeirenses, que certamente Francisco Gomes muito preza e estima – “Meus amigos, tenham cuidado...!O vosso partido merece melhor, vejam lá, é importante que se unam para salvar o PS das garras desta liderança!”.

Em simultâneo, o companheiro Luís Filipe Malheiro já vai em dois artigos de opinião dedicados ao CDS. Pelo menos no título, pois passa boa parte do segundo tomo a “lavar” no PS e em Victor Freitas. No resto a estratégia é semelhante. Alguns elogios entremeados com acusações ao líder José Manuel Rodrigues de estar a jogar em demasiados tabuleiros e cenários. Não falta a alusão à crescente contestação interna, para além de comparações no mínimo questionáveis – os resultados eleitorais credíveis como termo de comparação são os de 2007 (2011 foi um engano quase colectivo), e até as eleições nas Canárias vêm a lume como potencial inspiração do presidente do CDS-Madeira.

Não deixando de louvar a sageza desta estratégia – argumentação razoavelmente sólida e eloquente, em vez do habitual rosnado trauliteiro de muitos opinadores daquele jornal -, agradeço em nome de todos os destinatários (quer socialistas quer populares, peço que me desculpem a ousadia), mas seremos nós a decidir o melhor rumo para os nossos partidos, apesar de compreendermos a urgência do PSD em tentar tudo para nos descredibilizar, incluindo sessões de ciência política para totós. No CDS é hora de cerrar fileiras, o debate é interno e construtivo. Acredito que no PS também o saberão fazer.

Para já, a resposta de Victor Feitas ao repto lançado pelo CDS não é, de todo, elucidativa, pelo que espero que se lancem pontes e se procurem entendimentos, em nome da nossa terra e do futuro dos nossos filhos, e não em função de egos e umbigos…Eu ainda acredito!

Raul Ribeiro