A democracia regional, fruto de uma governação longa, que só o tempo e os historiadores - com a devida distância – se encarregarão de compreender, criou um clube de entidades dependentes da política.

São vários os casos de figuras públicas que “entraram em depressão” quando abandonam o teatro governativo, e bem poucos aqueles que saíram da política com a dignidade e a independência que empiricamente é espectável. Não me debrucei sobre as causas de tal dependência, mas a observação que tenho realizado da cena política regional leva-me a crer que um possível factor de tal dependência tem a ver com a falta competências e mérito fora da cena política.

Surge um paradoxo! A política deveria recrutar da sociedade os mais competentes e capazes, com provas dadas e mérito reconhecido. Porém o que mais tenho observado é o recrutamento do mais festeiro, daquele que embora incapaz de desenvolver pensamento próprio, tem o enorme dom de bajular o chefe, rir das suas piadas, acompanhar nas festas e eventos, ou seja um “bom amigo”. Não será de estranhar que estas personagens se sintam desamparadas - sem chão sob os seus pés - quando têm de abandonar o elo dourado.

Num registo sincero e frontal assumo que esta mudança na liderança do PSD assume o risco de perpetuar esta mediocridade e mesmo os novos candidatos estão rodeados, em maior ou menor número, de abutres que anseiam pela morte de algumas carcaças para elevar aos céus outros atores.

A candidatura do Sérgio Marques é a que me deixa mais tranquilo no que respeita à diminuição destas práticas de recrutamento pouco lícitas. A sua mensagem de recrutamento meritocrático deve ser entendida como uma nova práxis, um novo sistema em que as funções públicas, políticas ou não, devem ser desempenhadas pelos mais aptos, mais capazes, mais bem preparados/formados, detentores de mérito mensurável e atestado. Ressalve-se ainda que estas características de competência não são detectadas num momento e mantidas por inércia durante décadas. O mérito deve ser avaliado frequentemente e em certos casos – especialmente na classe política – os cargos desempenhados devem ser limitados no tempo de exercício.

De cavalo para burro ou vice-versa, este é um momento muito importante na história do PSD. Além do mais, o paradigma político e social regional mudou, e todos estes movimentos são percepcionados na comunidade e comprometem a imagem do partido perante esta. Meus caros, deixamos de viver num clube restrito, agora o importante é a Região.

Luís Mata