O conceito de beleza é um conceito relativo, muito questionável, que tem vindo a sofrer alterações ao longo dos anos.

Todos os dias somos bombardeados com publicidade. Nela, tudo o que vemos é perfeito, os corpos são esculturais, a pele é sempre lisa, o cabelo está sempre deslumbrante, os pelos não existem e a celulite nunca aparece. Tudo é perfeito e maravilhoso neste mundo em que a boas imagens utilizadas servem essencialmente para nos motivar a comprar produtos para ficarmos perfeitas. Tudo isto pode alimentar complexos em quem não se enquadra neste estereótipo de “mulher perfeita”. Ainda por cima, as modelos profissionais não representam, nem de perto nem de longe, um tipo de aparência comum à maioria das mulheres.

Mas serão a moda e publicidade realmente a origem e fonte dos nossos complexos ou frustrações? Será que o problema está na moda e publicidade ou na nossa cabeça?

O padrão de beleza difundido pelos meios de comunicação social é, para a maior parte das pessoas, simplesmente inatingível. Tudo isto causa frustração e revolta em algumas pessoas e isso nunca é bom ou fica bem. É importante que cada pessoa tenha em mente que o ser humano é naturalmente imperfeito, e que mesmo com imperfeições é possível ser bonito. É preciso acabar com a ideia de que o tamanho “Extra Small” é a única forma de se ter um corpo bonito, é possível ser-se atraente vestindo um tamanho médio ou mesmo a puxar para o grande. Felizmente, graças à mudança de mentalidades e algumas campanhas, muitas de nós já pensam em si de maneira saudável, contrariando estes cultos de beleza exagerados e prejudiciais para a nossa imagem e até para a nossa saúde.

A propósito disto, na 43ª edição da Moda Lisboa, foram apresentadas as propostas de alguns criadores nacionais para a próxima Primavera/Verão. Jéssica Athayde, um dos rostos mais conhecidos da nossa televisão, foi convidada a desfilar por uma das marcas. Esta bela rapariga desfilou com graciosidade e à vontade, mas foi alvo de críticas e comentários menos bons por não ter o corpo típico de uma modelo profissional. Efectivamente, Jéssica Athayde não é modelo, mas esteve brilhante no desfile, linda e confiante, segura das suas perfeitas imperfeições. Neste caso, como noutros, não podemos, nem devemos, atribuir as culpas à moda, à publicidade, nem à bela actriz. O problema está dentro das pessoas que a criticaram, nas suas inseguranças e traumas, nos seus desejos de uma perfeição que sabem que nunca irão atingir, nos frustrados que aproveitam todas as oportunidades para atacar aquelas pessoas que são claramente mais bonitas e que lidam muito bem consigo mesmas.

Há que mudar formas de pensar e agir, tendo a atenção de não criticar só por criticar. O primeiro caminho para uma pessoa se sentir bem e bonita é aceitar-se como realmente é, vestir-se de forma adequada ao seu corpo, idade e posição, não querer transpor para si aquilo que gosta de ver noutras pessoas e ter uma dose razoável de bom gosto. Se todas estas condições se verificarem, é quase certo que irá apresentar-se muito bem. Seja aquilo que realmente é e verá que as pessoas felizes, bem consigo mesmas e bem-dispostas com os outros, são muito mais bonitas e atraentes.

Marina Isabel Dória