E o que é que se discute aqui? A regulamentação para atribuição de um subsídio de mobilidade para um barco que não existe. Parece um sketch humorístico, mas não, é a realidade mesmo.
Anda tudo a falar de um hipotético barco para o qual está previsto um subsídio hipotético que hipoteticamente vai ser regulamentado por um Governo que quando estava na oposição fez por aprovar este subsídio, mas nunca mais lhe deu enquadramento legal.
Mas nos tempos das ligações rápidas, em que um atraso de duas horas num voo na TAP (e acho que estou a ser simpática para a companhia) entorna o caldo, anda meio Mundo [candidatos a líderes do PSD, respectivos apoiantes, deputados da Assembleia da República e oposição] na luta para que a Madeira tenha uma ligação a Lisboa que demore quase 24 horas. Um dia inteiro. Com subsídio, é certo, mas um dia inteiro, sublinho. E isto é apresentado como a última coca cola da insularidade. Do desenvolvimento económico ilhéu.
Mas não me parece estar aqui em causa o superior interesse da Madeira, pese embora acredite que quanto mais opções melhor e que devia haver barco e subsídio de insularidade para os madeirenses que o prefiram. A verdade é que ninguém quer perder o comboio da regulamentação do subsídio para o barco que recordo não existe, mas que dizem pode existir. Para mim, era uma bicicleta a cada um e agora passemos ao que interessa. Sei lá, falar de problemas sérios que realmente afectem a maioria dos cidadãos que estão à espera que, imagine-se, os governem. Ou, devaneio, que a oposição faça o seu trabalho. E que não ande tudo a reboque.
Podia dar uns exemplos a começar pelo facto de a Madeira ter um hospital novo que é do Estado Novo. E, coincidência, ser a Região com mais mortes por doença respiratória na União Europeia. Bom, podíamos falar também das belíssimas estatísticas da educação. Do desemprego? Baixou qualquer coisa, e já não se fala disso?
É dar uma voltinha pela Região, senhores candidatos, deputados e restante comitiva, naquilo a que vulgarmente se chama contacto com o eleitorado. Está na agenda. Olhem e vão a pé, não dá direito as subsídio, mas também não carece de regulamentação.
Sandra Cardoso