Um dos maiores desafios que se coloca à humanidade reside na sua própria evolução. Grandes metas e objectivos colocam, permanentemente, à prova a sua capacidade de crescer e de afirmar a dimensão humana que tão bem a distingue. Resulta, hoje, uma nova atitude que alimenta uma tendência moderna de organização das instituições, das empresas, dos negócios e mesmo das pessoas, proporcionando à sociedade um formato diferente e fomentando ações muito recomendadas mas pouco experimentadas até ao momento. A “economia colaborativa” encerra um conjunto infinito de relacionamentos que têm em comum o princípio da troca, da eficiência e da partilha. Sectores tradicionalmente organizados sentem uma forte ameaça perante práticas tão simples como, entre tantas outras: a partilha de um automóvel ou de uma moto para transporte de pessoas que se dirigem para o mesmo destino; a troca de casas em regime de férias; ou a compensação de serviços, o uso comum de tecnologias e mesmo de outros bens. Na génese da “economia colaborativa” estão instituições e projetos que têm origem no referido princípio da partilha mas assente numa lógica de intervenção do tipo “pessoa-para-pessoa”, dando, desta forma, corpo ao conceito de “consumo colaborativo”. Esta nova forma de estar na economia resulta possível por admitir uma postura determinada que privilegia, simultaneamente: a dimensão Social, assumindo as tendências demográficas e interiorizando as preocupações relacionadas com a sustentabilidade; o interesse Económico focado nas boas práticas de gestão dos recursos e, fundamentalmente, na afirmação do conceito de “preferência pelo acesso”, em vez da tradicional e recorrente “aquisição”; e o acesso à Tecnologia, tirando partido das redes sociais, dos dispositivos móveis e das facilidade de transação, relacionamento e pagamento dai resultantes. Trata-se de uma economia mais limpa, ligeira e desprendida dos habituais formalismos que condicionam, regra geral, o valor e o tempo envolvidos. Ao contrário daquilo que possa parecer, não estamos na presença de um conceito isolado e autónomo. Pelo contrário, é bem visível o conjunto de oportunidades que permite aferir. Sendo, hoje em dia, muito mais que uma qualquer tendência, importa saber promover a adaptação necessária para que a harmonia ali defendida se transponha para a vida de cada um de nós e nos faça sentir como agentes ativos desta nova realidade.
Eduardo Jesus Economista