Manuel João Baptista Rosa Já Eça constatava que governar era apenas “cobrar o imposto e fazer o empréstimo”. O que ele queria dizer é que os governantes de então não tinham uma visão (do futuro), da missão (tipo de economia), e da estratégia adequada (como lá chegar). Para o exercício daquela função (financeira) basta um especialista em finanças e não precisamos de políticos nem de eleições - talvez umas quantas “lojas de cidadão” para as questões burocráticas e pouco mais. Faz falta à governação, seja de que nível for, um plano estratégico, que contenha a definição da visão, da missão e da estratégia, o qual deve ser sustentado em vantagens competitivas que podem ser o clima, a gastronomia, o artesanato, a carga fiscal reduzida, a cultura, as levadas, o desporto, a religião, os miradouros, a arquitectura, as ribeiras, o mar, as montanhas, as paisagens, os produtos agrícolas, as pessoas, enfim qualquer coisa que nos torne mais atractivos, diferentes e, portanto, mais fortes do ponto de vista económico do que os outros concorrentes (países ou regiões). A economia, fonte da riqueza, e, portanto, do bem estar das pessoas, depende da boa gestão das vantagens competitivas, sendo responsabilidade dos governantes a sua criação/identificação e ou requalificação (melhoramentos), a maior parte das vazes com pequenas medidas que não implicam grandes gastos mas que são muito importantes para a diferenciação (estratégia) da região, face às outras, atraindo consumidores e, por arrastamento, investimentos. Enquanto os governantes não entenderem qual deve ser o essencial da sua actuação, as regiões e o país irão definhar com o desemprego, emigração e a baixa natalidade, consequências do facto da governação se centrar exageradamente na questão financeira (défice) em detrimento da competitividade económica. O sucesso de uma região reside numa boa gestão dos recursos económicos (é um imperativo) e não no equilíbrio financeiro (apenas requisito). Afinal, do tempo de Eça para a actualidade, pouco ou nada mudou na qualidade da governação dada a situação em que nos encontramos. Prova disso algumas oportunidades perdidas pelos nossos governantes: Descobrimentos, Brasil, Colónias, as remessas da emigração da década de 60 e, por último, os fundos atribuídos pela UE. É imperativo que os governantes deixem de procurar bodes expiatórios e que … governem.