Na semana passada houve um pedido de demissão do Presidente do Governo Regional, que não deve, nem pode passar despercebido. Desta vez não foram os partidos da oposição que o fizeram, foram os “delfins” que o disseram num debate na RTP-Madeira. Na prática, o que exigiram é que após o Congresso do PSD/M em Janeiro terá de haver eleições antecipadas e isso só se efetiva com a demissão do Presidente do Governo.

Este pedido de demissão é uma tentativa de branquear as responsabilidades do PSD/M perante a situação a que Madeira chegou, responsabilidade que deve ser assumida também por parte de todos aqueles que agora discutem a liderança e o legado de Jardim. Mas este processo de branqueamento tem muito que se lhe diga.

Antes, diziam que Alberto João Jardim era bom, os que estavam à volta é que eram maus, agora dizem que Alberto João Jardim é mau, e os que estão à volta é que são bons. Nós percebemos o truque. O homem já não vai a eleições e a má imagem que fique com quem está de saída, para que quem o substituir apareça “limpinho” aos olhos dos eleitores, como se nada tivessem a ver com a situação económica e social da Madeira. A tentativa de pintar o PSD de fresco, não cola. Tanto mais que estes putativos sucessores, incluindo agora um tal de Jaime Ramos, já andam nestas andanças há décadas. Todos representam a continuidade. Mudança só com novas caras, novas políticas, e com outros partidos a assumirem responsabilidades governativas. Estes seis “Albertos”, agora travestidos de candidatos, são os mesmos de sempre, os que levaram a Madeira ao descalabro em que vivemos, e à pesada herança que teremos de pagar.

Um poder que já dura há 40 anos, mas que insiste em se perpetuar, é um poder que precisa de uma cura de oposição. Estão mal acostumados porque julgam que o poder é eterno. Alguns julgavam o mesmo, mas nas autárquicas de 2013 perceberam que o poder é efémero e que os cidadãos aprenderam a dizer Basta. Se nas autárquicas foram a votos aqueles que não eram os principais responsáveis pela situação da Madeira, nas eleições regionais serão julgados os verdadeiros responsáveis pela dívida colossal, pela emigração galopante e pelo desemprego que atinge todas as famílias. Se o povo castigou os Presidentes de Câmara, que até nem foram os principais responsáveis pela situação a que chegamos, quando aqueles que ainda são os principais executores de uma política falhada, não tenho dúvidas que o povo da Madeira e do Porto Santo dará uma lição histórica de Mudança. Se até hoje governaram os 7000 militantes do PSD, a partir de 2015 vão governar os 260.000 madeirenses.

Victor Freitas