1. Rebocados por uma momentânea e estranha aliança entre Benfica e Porto, a esmagadora maioria dos clubes profissionais de futebol, elegeram o sportinguista Luis Duque como novo presidente da Liga de Clubes, o que não agradou e foi encarado como uma provocação, ao presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, que o quer expulsar dos leões. Não será tão estranha aquela aliança, entre os presidentes das águias e dos dragões, se pensarmos que os dois maiores patrocinadores do futebol profissional, em Portugal, PT e B.E.S., que injectaram milhões e milhões de euros, tiveram de fechar a torneira. Soou o alarme. Perante o novo drama financeiro, Pinto da Costa e Luis Filipe Vieira, sentaram-se à mesa - quem diria? - na Mealhada, e entre um naco de leitão e um copo de espumante tinto, urdiram uma estratégia de “salvação urgente do futebol nacional”. Como já se sabia as finanças dos clubes em Portugal há muito que bateram no fundo, mas só agora se começa a pensar nisso. 2. O prestigiado diário francês L’ Equipe, promoveu uma votação para o estádio mais bonito da Europa. Concorrendo com palcos como o Wembley, Emirates, Camp Nou, Santiago Bernabéu ou Allianz Arena, o Estádio da Luz, único palco português em escrutínio, foi o grande vencedor com 48% da votação à frente do Parc des Princes, em Paris, com 17%. Vale o que vale. Mas só pode ser um orgulho para o Benfica e para Portugal. 3. O Porto apresentou as contas do seu último ano económico, com um resultado líquido negativo de 40,7 milhões de euros. Nada de estranhar porque isso tem sido o normal nos últimos tempos em Portugal. Só os três grandes têm um passivo muito superior aos mil milhões de euros. Será possível continuar assim? Não creio, mesmo que alguns teimem numa fuga para a frente, cuja conta, mais tarde ou mais cedo, chegará. 4. Sempre que Jorge Jesus faz uma antevisão a um jogo da Liga dos Campeões, repete exaustivamente, que o mais importante é o Campeonato. Resultado? Perde sempre, porque os jogadores ao interiorizarem essa mensagem, mesmo perdendo, é para o lado que dormem melhor. Quando não o fez e finalmente disse que o jogo tinha de ser ganho, o que se passou? Ganhou o jogo na Luz contra o Mónaco. Ninguém pode ser bom em tudo, também é verdade, mas hoje a ambição e a comunicação são condimentos essenciais para o sucesso. No futebol como na política. 5. Os sócios e simpatizantes do Benfica estão inquietos. E com razão. A equipa não produz o que se espera, face a um Porto com um super plantel, depois dum forte investimento para evitar o bi dos homens da Luz. Resolvido o problema da baliza, Jardel está a milhas de Garay, Eliseu ainda disfarça a saída de Siqueira, mas está lesionado, falta um trinco (Fejsa e Ruben Amorim estão lesionados), Rodrigo não teve, até agora, substituto à altura e um Markovic, não se encontra todos os dias. Se os danos não forem muito grandes até ao Natal, com a recuperação dos lesionados e alguma contratação cirúrgica, é possível lutar pelo título até ao final. Milagres nem Jesus, sempre consegue. 6. Com todo o respeito e amizade que tenho pelas pessoas que, actualmente, presidem tanto ao Clube como a SAD do Nacional e a quem o clube muito deve, sente-se a falta dum líder carismático, aquele que nos momentos bons e maus está sempre presente, oferecendo o corpo as balas e comandando a nau, mesmo se as águas estejam muito agitadas. Não é difícil perceber quem está a fazer falta ao clube. Têm a palavra os sócios, o primeiro e mais importante património do clube.

Rui Abreu Chefe de Divisão na CMF