Vamo-nos deixar de fantasias eleitorais e encarar os factos que nos colocam em situação caótica do ponto de vista financeiro e económico. O que leva a uma realidade social degradante para quem tem ou começa a ter carências, graves e determinantes, até na sua sobrevivência. “Descobri” que o número de óbitos no primeiro semestre de 2014 foi mais de vinte por cento superior ao verificado no mesmo período do ano anterior. 20,5 %. Disse-o no último debate televisivo e está confirmado oficialmente. Ora, este facto, é de uma gravidade extrema e deve aterrorizar a nossa comunidade. Se bem sei, nenhuma epidemia acrescenta tantos óbitos assim. E não a tivemos no corrente ano. É, evidente, que muitas pessoas suspendem medicamentos, ou adiam tratamentos e intervenções médicas, por dificuldades financeiras. O stress é uma realidade agravada. A angústia das dificuldades financeiras incontornaveis aperta o coração e derrota o ânimo de cada um. Tudo são justificações aceitáveis, e eventualmente certas, mas o que não é admissível é que não se conheça a versão oficial deste inexplicável valor estatístico. Só faltava mais esta para a total degradação da nossa confiança colectiva. Temos o desemprego a atingir a maioria das famílias. Há redução de salários, tanto nas empresas privadas como na função pública. As reformas foram cortadas. Os jovens já procuram “qualquer coisa” onde trabalhar. O Porto Santo agoniza. Para cúmulo da nossa desgraça, pagamos os impostos mais elevados no País. IVA e Imposto sobre Produtos Petrolíferos maiores que no Continente e nos Açores. Como os transportes são de um custo obsceno e ninguém subsidia nem passageiros nem cargas, ao contrário dos Açores e das Canárias com dinheiro europeu, ficamos com o CUSTO DE VIDA mais caro em Portugal. Estamos de castigo ? Merecemos tanto desprezo e adversidade ? Obrigam-nos a este sofrimento inaceitável e desproporcionado e não nos revoltamos ? Alguém já disse, ao Primeiro-Ministro Passos Coelho, que enquanto a dívida nacional é de 131 % do PIB e a dívida dos Açores é 100 %, a da Madeira ronda os 85 % ? Não será que toda esta situação extrema e calamitosa parte de uma questão de credibilidade da Madeira em Portugal, muito particularmente em Lisboa, onde tudo se decide ? Não estaremos a ser vítimas de relações deterioradas, ou mesmo inexistentes, por rupturas e indelicadezas partidárias, que não nos beneficiaram na comunidade “laranja” e põem em causa que a Madeira seja tratada de acordo com princípios de equidade e justiça nacionais ? Uma coisa é certa: pela primeira vez na História da Madeira, estamos na eminência de uma geração viver pior que a anterior. Recordam-se dos nossos pais frequentemente nos dizerem “havias de ver como vivíamos”? Pretendiam explicar que antes a vida era muito difícil e pior. Ora bem, a mesma expressão, na próxima geração, significará exactamente o oposto: havias de ver como vivíamos, muito melhor que agora. Querem continuar com isto? Com esta governação? Tem muitos candidatos à liderança do PSD-M que lhes garantem o continuar desta “grande farra” financeira - parece que vêm aí mais obras na marina do Lugar de Baixo! Estas últimas inaugurações, cada metro uma inauguração, só possíveis com o dinheiro da maior calamidade natural vivida na Madeira, não será o prenúncio da maior taxa de desemprego e caos económico alguma vez vivido pelas famílias madeirenses e porto-santenses? Em vez do fim da obra, não será o início de mais desemprego? O dobre de finados deste ciclo político? E pergunto: Repôs o governo, com igual cuidado e pormenor, os prejuízos sofridos pelas famílias afectadas pela tragédia do 20 de Fevereiro? E a homenagem às vítimas mortais, verdadeiras vítimas da incúria e irresponsabilidade que colocou em risco tantas pessoas e bens, infelizmente atingidas na catástrofe? Não é tão grave prevaricar como consentir que se prevarique?
Miguel Sousa Candidato a líder do PSD-M