António Ferreira A festa da profusão de candidatos põem-me os pêlos hirsutos. São tantos os candidatos que parece um orgia de democracia. Os leitores estarão a ponderar “candidatos” como apenas os da social-democracia. Não é verdade: os rapazes dominam a política madeirense da esquerda à direita. A começar no Bloco de Esquerda e PCP, passando pelo PSD e PS e acabando no CDS. Se formos a ver a questão não reside só nos cabeças-de-lista, o problema também coloca-se nos protagonistas. As mulheres que se destacaram são sistematicamente colocadas num canto. Há uma ou outra que ainda sobrevive no vida pública com uma crónica, conferência ou peça de telejornal; o seu trabalho ou mérito é todavia fogo-fátuo ou é dito à boca pequena. Quase todas as grande figuras de peso nas instituições são masculinas. A presença do belo sexo - não é uma expressão pejorativa - é residual ou acessória. Devemos pensar neste tema, tanto mais não seja pela perda de valor que este implica. Não sou feminista e até acho que o feminismo não promove com excelência a sua causa. Reconheço somente o valor utilitário temporário das quotas, porque creio que o dilema não é só o machismo; é inclusive uma crispação de gerações muito distintas, com diferentes vicissitudes e massa de pensamento. O nosso futuro está nas mãos de uma geração que ultrapassa a meia-idade. Homens que não ouvem, não aprendem nem querem revolutear a poeira que perpetua o status quo. A ausência de comadres é um dos corolários desta inflexibilidade. Outros haverá com abundância: incapacidade de renovação de políticas; pouca preparação cívica; fraca porosidade à ciência ou inovação. Em suma, o mal não se resume à parca presença feminina na vida pública e nos centros decisão. É toda uma geração negligenciada e muito aquém do seu potencial.