A deslocação ao ‘Estádio Capital do Móvel’ nunca é fácil para qualquer equipa. E o Marítimo não é excepção. Bastará lembrar que a última vitória verde-rubra naquela casa dista há quase uma década, corria então a época 2005/2006. Pelo que, naturalmente, toda a cautela era pouca.

Sem poder contar com Danilo Pereira por lesão, Leonel Pontes procedeu à única alteração ao ‘onze’ da jornada passada, entrando Fernando Ferreira para o lugar deixado vago pelo internacional sub-20 de Portugal. Rezam todas as crónicas do jogo que, pelo menos na primeira parte, a ausência de Danilo não se fez notar e que o Marítimo dominou todas as incidências da partida, «revelando espírito e qualidade de equipa grande». Tendo ainda se colocado em vantagem no marcador, com mais um golo de Maazou – que continua de ‘pé quente’ no campeonato e que ainda tentou puxar o Marítimo quando este já se encontrava em desvantagem no marcador. Então como se explica este resultado?

Normalmente – e eu já referi esse pormenor aqui várias vezes – o Marítimo entra forte no início das segundas partes e grande parte dessa atitude passará, imagino eu, pela conversa ao intervalo. É certo que tal sucedeu em momentos de jogo que precederam a uma parte menos bem conseguida ou menos eficaz. Porém, curiosamente ou não, em Paços de Ferreira, a equipa que subiu ao relvado na segunda parte foi, nas palavras de quem assistiu à partida, «apática e displicente», perante a equipa da casa que entrou a toda a velocidade. O que é uma novidade nesta equipa de Leonel Pontes. E, de facto, em apenas 12 minutos, o Paços passou de equipa subjugada a subjugador, marcando três (!!) golos sem resposta, perante um Marítimo incapaz de se encontrar ou reagir. O que só por si é bem demonstrativo da passividade deste Marítimo da segunda metade da partida.

De acordo com as declarações de Pontes no pós-jogo, o treinador madeirense apontou o dedo aos seus jogadores, revelando que após uma primeira parte onde tudo correu conforme planeado, «na segunda parte já não entrámos bem, talvez endeusados pelo que tínhamos feito durante a primeira». Sou apologista de elogiar o que é bem feito e de criticar (em sentido construtivo) o que é mal feito. E fico satisfeito pelo nosso treinador não ter papas na língua e responsabilizar os atletas quando a situação assim o exige. É claro que fica por saber a razão da saída de Ibrahim ao intervalo para a entrada do liberiano Weeks, sendo certo que – e mais uma vez pelas crónicas da partida – se por um lado o egípcio mostrava-se um dos jogadores mais activos na frente ofensiva, por outro Weeks foi uma total nulidade. O liberiano tem sido um verdadeiro ‘pé frio’ esta temporada, estando quase sempre presente nos piores momentos da equipa esta temporada – não que seja “o” responsável, naturalmente. Mas não deixa de ser curioso. Também inegável para o eclipse no princípio da segunda metade foi a ausência do equilibrador-mor do meio campo do Marítimo, cuja ausência da qualidade técnica e táctica de Danilo deixou órfão o meio campo dos insulares, bem como a sua capacidade de reacção à expectável pressão da equipa da casa.

Seja por que razão for, é importante corrigir este hiato mental que a equipa teve neste quarto de hora em Paços de Ferreira, lembrando que um jogo tem sempre 90 minutos mais o período de descontos e só acaba quando o juiz assim o apita. É pena, porque tivesse o Marítimo conseguido metade da exibição que conseguiu na primeira parte deste jogo, teria trazido os três pontos de Paços de Ferreira.

Mas não adianta chorar sobre o leite derramado. Após a semana das selecções, o Marítimo entra em campo para defrontar o Gondomar para a Taça de Portugal.

Aqui não há nem meias desculpas. Somos os favoritos e queremos estar na eliminatória seguinte!

Luís Miguel Rosa