Algumas consciências mais ingénuas vivem da ilusão de que bastará afastar Alberto João Jardim do Governo para que os problemas da Região se resolvam. Ainda com maior ingenuidade, determinadas pessoas julgam que sem Jardim acabaria o Jardinismo, cometendo o erro político da não compreensão de que o regime dominante está muito para lá da presença física do seu criador. No fundo, trata-se de um vulgar equívoco, assente na incompreensão de que o que está em causa é a natureza das políticas e não o perfil dos seus executantes.
O Jardinismo, baseado numa profunda teia de influências, numa vasta rede clientelar, prolonga-se no tempo, enquanto forma de exercício do poder ao serviço dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros da Região e do País.
A questão determinante é a de romper definitivamente com o Jardinismo (com ou sem Jardim) e o que ele corporiza no quadro da política de direita; ou a de ver suceder na Região o prolongamento de uma política e de uma governação ditada por uma nova teia clientelar e orientada para assegurar o rumo de exploração e empobrecimento que o País e a Região têm conhecido nos últimos 38 anos.
Assim, a questão central que se coloca quanto ao futuro desta Região Autónoma não radica na substituição de uns por outros no comando da política de direita. O que se torna crucial é a efectiva formulação e concretização de uma política verdadeiramente alternativa.
Edgar Silva