Jorge Martins Desde os, quase me apetecia dizer remotos, tempos dum tal de Cavaco , então primeiro-ministro, que não via ser colocada de forma tão, abruptamente, frontal a, esquecida (?), questão dum governo de maioria de esquerda. Perdão? Maioria de esquerda ? Sim. Duma penada, curiosamente a democracia tem destas dissincronias, uma campanha inóspita, mal explicada e tremendamente monótona para a eleição de um candidato a primeiro-ministro do Partido Socialista, sem nada de substantivo ter discutido, teve como resultado a vivificação da esquerda portuguesa municiando-a, como há muito se não via , para uma refrega política com múltiplas perspectivas de êxito e conquista de uma maioria absoluta, de coligação surpreendente, porque absolutamente inverosímil até hoje no nosso país, como Partido Socialista como força agregadora e uma imensa multiplicidade de movimentos, grupos e personalidades imbuídas da urgente necessidade de construção duma Europa das pessoas, das Regiões e das Nações integradora das naturais e salutares diversidades em defesa do bem estar, Estado Social Europeu, da paz e do desenvolvimento.
Espantosamente, aquilo que começou por ser um subterfúgio para dilatar um estertor de uma forma, diria que indigente e espúria, de fazer política, ainda que, porventura, prejudicando a imagem do Partido Socialista, contribuiu, definitivamente, para um impulso inovador do putrefacto ambiente inter e intra partidário, alinhando com o que de mais “refrescante” se tem visto na política internacional, nomeadamente, como é exemplo o que se passa em Itália.
Caem as máscaras, finalmente, e exorcizam-se os fantasmas do passado, limpando-se os esqueletos dos armários. Torna-se, porém, imprescindível, encarar as realidades e assentar numa plataforma exequível, consubstanciada num compromisso político público e publicitado, sem tibiezas nem hipocrisias derivadas de abstrusas agendas, sejam de Partidos conservadores e mesmo reaccionários, ainda que tradicionalmente entendidos como progressistas assim como de Centrais Sindicais ou Sindicatos por elas determinadas ou mesmo com ambições próprias.
Parece-me, como não é raro na história, que um erro cometido por indigência de dimensão política, resultou numa oportunidade que não podemos desperdiçar.