Definitivamente a democracia na Madeira está infectada e o actual regime político não parece disposto a normalizar o mais elementar dos direitos sagrados do povo. Exprimirmo-nos livremente é tarefa difícil e, em certas situações, mesmo impossível.
O Jornal da Madeira, por razões de orientação política, por critérios de gestão no mínimo discutíveis, é uma redução democrática inaceitável numa sociedade do nosso tempo.
O JM, que apodrece as raízes da liberdade de expressão, exemplo maior do que há de espúrio e inaceitável em comunicação social, ferrou no apoio directo, descarado e abusivo à campanha de Manuel António Correia e Cunha e Silva. Acreditem: uma coisa normal para esses senhores.
E esses dois candidatos oficiais de Alberto João Jardim e Jaime Ramos se fossem democraticamente sérios rejeitariam o favor de beneficiarem do dinheiro público para promoverem as suas campanhas partidárias.
Atitudes éticas e morais nada têm a ver com esses dois candidatos. É o retrato dos candidatos oficiais à liderança do PSD-M. Continuarem nesse insulto às famílias madeirenses e porto-santenses de se aproveitarem dos seus impostos para pagarem um Jornal que nada tem de isento, plural e democrático. Mesmo na sua miopia singular, os restantes protagonistas políticos social-democratas são discriminados. Uns são apagados, outros reduzidos, alguns ofendidos e também muitos distorcidos.
É um vale tudo para ganharem. Da falta de rigor na gestão dos dinheiros públicos já tínhamos a certeza. Falta a confirmação da Judiciária. Do vergonhoso uso do Jornal da Madeira também. Falta a revolta popular para tão irresponsável abuso.
Tenho pena dos vários, que conheço e respeito, e que colaboram nesta, muitas vezes, miserável mostra de estupro democrático.
Defender o Jornal da Madeira é uma coisa. Proteger este JM é outra. Derrotar esta gestão podre e nauseabunda é uma das mais nobres missões de quem é democrata, ama a Madeira e luta para construir uma sociedade de gente que respeita e é respeitada.
Como se pode respeitar quem peregrina tanto enxovalho e maledicência através de um Jornal que se tornou o maior abuso de quem tem poder absoluto sobre como desbaratar o dinheiro do povo?
E, tanto Manuel António como Cunha e Silva, servem-se desse abuso sem qualquer pudor ou escrúpulos. Por uma única razão: é esse o seu critério de democracia, liberdade de expressão e uso do dinheiro público.
Talvez pensem que as eleições internas não precisam ser correctas e rigorosas. Que são um evento privado não fiscalizado por qualquer autoridade oficial e, portanto, um “vale tudo” sem controlo e cujo limite da decência é definido por Jaime Ramos.
É isto que querem para o futuro da Madeira? Continuar tudo igual ou pior? É vergonha admitir essa hipótese. Que os madeirenses e porto-santenses rejeitarão. É para continuar na mesma, e tudo tão mal, que fazemos eleições?
O que é cómico é verificar que com as 5 ou 6 mil notícias, só contando as de primeira página, que estes dois governantes beneficiaram no Jornal da Madeira (obrigaram), já era para vivermos no paraíso económico e não no caos em que nos encontramos. Os dois são responsáveis, há catorze anos, por todas as pastas económicas do governo regional, com excepção do turismo. Então, em que beneficiámos de todas essas notícias “fantásticas” que fizeram publicar? Não beneficiámos porque essas medidas foram erradas. Contrárias ao interesse da economia da Madeira. PS: O Dr. Francisco Santos faz a vez, nesta coluna, destinada ao candidato Cunha e Silva. Realmente escrever aqui todas as semanas dá trabalho e pode ser uma chatice porque fica escrito, sem margem para apagar ou negar mais tarde. É mais seguro ter escriba ao serviço. E há muita coisa que o seu candidato não pode escrever. Agora, convém o Dr. Francisco Santos não contrariar o que me disse pessoalmente antes de se dedicar à outra candidatura.
Miguel de Sousa